O prestigiado Flanders Festival Ghent, na Bélgica, gerou controvérsia ao cancelar a apresentação da Orquestra Filarmônica de Munique, uma das principais da Alemanha. A decisão foi motivada por preocupações em relação à posição do maestro israelense Lahav Shani sobre o conflito em Gaza. Organizadores alegaram não poder garantir um posicionamento claro de Shani em relação ao que descreveram como um “regime genocida” de Israel.
Em comunicado divulgado, a equipe do festival justificou a decisão, afirmando que optaram por “não colaborar com parceiros que não se distanciaram de forma inequívoca desse regime”. Apesar de reconhecerem que Shani “se pronunciou a favor da paz e reconciliação várias vezes no passado”, a organização optou pela medida drástica, visando, segundo eles, “manter a serenidade” do evento.
A medida desencadeou fortes reações, especialmente na Alemanha. O ministro da Cultura alemão, Wolfram Weimer, classificou a decisão como uma “vergonha para a Europa”, acusando o festival de promover um “boicote cultural” sob o pretexto de crítica a Israel. “Isso é puro antissemitismo e um ataque aos fundamentos da nossa cultura”, declarou Weimer, demonstrando a gravidade da situação.
O ministro alemão ainda alertou para o “precedente perigoso” que a decisão representa. Para ele, cancelar a participação de orquestras alemãs e artistas judeus não pode se tornar aceitável. “Os espaços culturais europeus não podem se tornar lugares onde antissemitas ditam os programas. A Alemanha não aceitará isso”, enfatizou Weimer.
Shani, que assumirá oficialmente o posto de maestro da Filarmônica de Munique na temporada 2026/27, é atualmente diretor musical da Orquestra Filarmônica de Israel. O jornal alemão Zeit ressaltou que Shani não possui ligações públicas com o governo israelense e já conduziu a West-Eastern Divan, orquestra que reúne músicos de diversos países do Oriente Médio, incluindo israelenses e palestinos. Em entrevista, Shani se declarou orgulhoso de representar a cultura israelense, mas como um embaixador do Estado, não do governo.
A decisão do festival belga também provocou reações em Israel. O embaixador israelense na Alemanha, Ron Prosor, classificou o ato como “antissemitismo puro”. Já o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, considerou a medida “excessiva”, distanciando-se da decisão do festival.
A Filarmônica de Munique, juntamente com a cidade de Munique, também expressaram críticas à decisão, considerando-a uma punição coletiva aos artistas israelenses. A exclusão de pessoas de espaços culturais com base em sua origem ou religião foi caracterizada como “um ataque aos valores fundamentais europeus e democráticos”. Vale lembrar que, em 2022, a própria orquestra afastou o maestro russo Valery Gergiev por não condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Fonte: http://www.metropoles.com