O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, elevou o tom contra Israel, declarando que o reconhecimento internacional da Palestina permanece ineficaz sem a imposição de sanções rigorosas. A declaração foi proferida durante a cúpula emergencial da Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), realizada em Doha, no Catar, em resposta aos recentes ataques israelenses. A postura de Erdogan reflete uma crescente frustração com a escalada do conflito e a inação internacional percebida.
Erdogan criticou duramente o governo de Benjamin Netanyahu, acusando-o de perpetuar um “massacre e genocídio na Palestina” e de desestabilizar toda a região. Ele alegou que Israel opera com uma “mentalidade terrorista”, desrespeitando a Carta da ONU e o direito internacional. Segundo o líder turco, as ações de Israel extrapolam os territórios palestinos, atingindo outros países e até mesmo embarcações civis.
“É claro que as declarações de alguns países sobre sua intenção de reconhecer o Estado da Palestina são um passo positivo. Isso deveria ter sido feito ainda antes. No entanto, tais medidas dificilmente trarão resultados a menos que sejam apoiadas por sanções concretas e severas contra Israel”, afirmou Erdogan, demonstrando seu ceticismo quanto à eficácia de reconhecimentos simbólicos.
A Turquia já havia adotado medidas drásticas contra Israel, suspendendo todas as relações comerciais e logísticas no final de agosto. A medida incluiu o fechamento do espaço aéreo turco para aeronaves israelenses e a proibição de entrada de navios israelenses em seus portos, intensificando o isolamento econômico de Israel.
A cúpula em Doha foi convocada após os bombardeios israelenses, que, segundo o Hamas, resultaram na morte de membros do grupo. O encontro resultou em um rascunho de resolução que condena os ataques e acusa Israel de genocídio e limpeza étnica, alertando para o risco que as ações israelenses representam para os acordos de paz e a normalização das relações com países árabes.
Fonte: http://www.metropoles.com