O último navio da Flotilha Global Sumud, que tinha como objetivo desafiar o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária, foi interceptado nesta sexta-feira (3/10) pelas forças israelenses, frustrando a tentativa de alcançar o enclave palestino. A ação gerou condenação internacional e reacendeu o debate sobre a legitimidade do bloqueio e o tratamento dado aos ativistas.
Segundo a organização responsável pela flotilha, o navio “Marinette” foi abordado por volta das 10h29, horário local, a aproximadamente 68 km de Gaza. A flotilha, em comunicado, havia declarado na véspera que o “Marinette ainda está navegando” e que “ele sabe o que o espera”, indicando a determinação de prosseguir apesar dos avisos israelenses.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel havia alertado que, caso o navio se aproximasse, sua tentativa de romper o bloqueio seria impedida. Nos dois dias anteriores, segundo a ONG responsável, 42 embarcações da flotilha foram interceptadas pelas forças navais israelenses. As embarcações transportavam ajuda humanitária, voluntários e a intenção de desafiar o que consideram um cerco ilegal imposto a Gaza.
Mais de 400 ativistas de diversas nacionalidades, incluindo pelo menos 12 brasileiros, foram detidos durante a operação e estão sendo encaminhados para Israel, conforme informações do governo israelense. A ONG Repórteres Sem Fronteiras denunciou que cerca de 20 jornalistas também estavam entre os detidos. “A operação durou mais de 12 horas”, segundo as autoridades israelenses, com os detidos sendo “transferidos com segurança para o porto de Ashdod”.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, condenou a ação israelense. Em nota, o ministério “deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica”. O Itamaraty acrescentou que, “no contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, e que diplomatas brasileiros devem visitar os ativistas detidos nesta sexta-feira. Israel, por sua vez, informou que os passageiros, que estariam “sãos e salvos”, seriam deportados para a Europa.
A flotilha Global Sumud, composta por 45 barcos e incluindo ativistas como a sueca Greta Thunberg, partiu da Espanha em setembro com o objetivo de quebrar o bloqueio a Gaza. A iniciativa se apresenta como uma “missão de ajuda humanitária pacífica e não violenta”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “soldados e comandantes navais cumpriram sua missão no Yom Kippur da maneira mais profissional e eficaz”.
A Global Sumud denunciou o que chamou de “um ataque ilegal” em águas internacionais e classificou a ação israelense como “ato de intimidação”. Onze participantes gregos iniciaram uma greve de fome em protesto contra a sua “detenção ilegal”, de acordo com os organizadores da flotilha. O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, considerou a interceptação como um “crime de pirataria”.
As reações internacionais à interceptação da flotilha foram diversas e demonstraram a polarização em torno do conflito israelo-palestino. A Turquia acusou Israel de cometer “um ato de terrorismo”, enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou a expulsão da delegação diplomática israelense de seu país. Itália e Espanha, por sua vez, enviaram navios militares para escoltar parte da rota da flotilha após denúncias de “ataques de drones”.
Fonte: http://www.metropoles.com