Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, intensificou o confronto político ao se referir a María Corina Machado, líder da oposição e recém-laureada com o Prêmio Nobel da Paz, como uma “bruxa demoníaca”. A declaração, feita durante uma celebração do Dia da Resistência Indígena, marca a primeira reação pública de Maduro desde o anúncio da premiação na última sexta-feira. O ataque verbal eleva a tensão em um cenário político já polarizado e sob escrutínio internacional.
Embora Maduro não tenha mencionado diretamente o nome de Corina Machado nem a prestigiosa honraria concedida pelo Comitê Norueguês do Nobel, sua referência indireta foi clara. “Noventa por cento da população rejeita a bruxa demoníaca de La Sayona”, afirmou o presidente, utilizando a figura folclórica de terror para desqualificar a opositora. A escolha da imagem de “La Sayona”, personagem do imaginário popular latino-americano associada à vingança e ao mal, adiciona um elemento de dramatização à retórica de Maduro.
Além do ataque pessoal, Maduro buscou contrastar sua visão de paz com a situação em Gaza, mencionando a necessidade de “paz com liberdade, soberania, independência e igualdade”. Ele questionou se a população venezuelana temeria seus oponentes, reafirmando sua determinação em não se render. “Queremos paz, e teremos paz, mas paz com liberdade, soberania, independência e igualdade. Não a paz das ruínas de Gaza, nem a paz da morte”, disse Maduro.
A premiação de María Corina Machado com o Nobel da Paz reconhece seu “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, conforme declarado pela organização do Nobel. O Comitê destacou o papel unificador de Corina Machado em uma oposição antes dividida, encontrando um ponto comum na demanda por eleições livres e um governo representativo.
No contexto da eleição presidencial venezuelana de 2024, Corina Machado foi impedida de concorrer por decisão judicial, em um processo amplamente criticado por falta de transparência. As eleições, que resultaram na reeleição de Maduro, foram contestadas internacionalmente, levantando dúvidas sobre a legitimidade do processo democrático. Atualmente, a líder opositora vive resguardada, em função das perseguições políticas.
Fonte: http://www.metropoles.com