O presidente francês Emmanuel Macron defendeu, nesta segunda-feira, a participação indispensável da Ucrânia e da Europa em qualquer negociação entre Estados Unidos e Rússia que vise uma solução para o conflito no leste europeu. A declaração surge em um momento de crescente incerteza sobre o futuro das negociações de paz.
Durante uma coletiva de imprensa na Eslovênia, após a cúpula do Grupo Mediterrâneo (MED9), Macron enfatizou que nenhum acordo que afete o futuro da Ucrânia ou a segurança europeia pode ser firmado sem a presença direta dos envolvidos. “Se o futuro da Ucrânia está em jogo, então os ucranianos devem estar à mesa de negociações. E, se o que está sendo discutido diz respeito à segurança dos europeus, então os europeus também devem estar à mesa”, afirmou.
As declarações de Macron ocorrem após o anúncio de uma nova reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, a ser realizada em Budapeste. A cúpula bilateral foi acertada após uma conversa telefônica de duas horas e meia entre os dois líderes, gerando preocupações entre os aliados de Kiev, que alegam não terem sido previamente informados.
A tensão aumentou após um encontro entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Washington, que não resultou em avanços concretos para Kiev. Zelensky busca um acordo para o envio de mísseis de cruzeiro Tomahawk, mas Trump adotou um tom mais cauteloso após conversar com Putin, recuando da possibilidade de fornecer os armamentos.
Em um esforço para assegurar o apoio europeu, Macron confirmou que Zelensky participará de uma reunião da “Coalizão dos Dispostos” em Londres, com o objetivo de estabelecer garantias de segurança pós-guerra para a Ucrânia. “Continuaremos a apoiar a Ucrânia, que está resistindo de forma muito corajosa”, garantiu Macron, ressaltando o compromisso europeu com a soberania ucraniana.
Zelensky indicou sua disposição em participar da cúpula em Budapeste, caso receba um convite formal, demonstrando um interesse em buscar a paz. “Budapeste não é o local ideal, mas, se for para buscar a paz, estarei lá”, ressaltou o presidente ucraniano, demonstrando pragmatismo em meio a um cenário geopolítico complexo.
Fonte: http://www.metropoles.com