Estudo revela relação entre o perímetro cefálico e o quociente de inteligência futuro

Estudo relaciona crescimento do perímetro cefálico no primeiro ano e QI na vida adulta.
Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a Universidade de Oxford, aponta que quanto maior o crescimento do perímetro cefálico no primeiro ano de vida, maior será o quociente de inteligência (QI) aos 18 anos. O estudo, que utilizou dados de mais de 4 mil bebês acompanhados ao longo de 30 anos na Coorte de Nascimentos de 1993 na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, revela que a mudança na medida também impacta o desempenho cognitivo.
Importância do perímetro cefálico
Os dados indicam que, a cada aumento de um desvio-padrão no perímetro cefálico durante o primeiro ano de vida, o QI na vida adulta tende a ser 1,3 pontos mais alto. Esse efeito é ainda mais forte nos primeiros seis meses, fase crucial para o desenvolvimento do cérebro. Um exemplo citado no estudo é de um menino que, embora tenha nascido com perímetro cefálico abaixo da média, alcançou a média esperada ao longo do primeiro ano, prevendo um QI três pontos acima do esperado se não tivesse evoluído.
Fatores que podem ajudar
Marina de Borba Oliveira Freire, autora do estudo, destaca que fatores como amamentação exclusiva e estímulos adequados são benéficos para o crescimento do perímetro cefálico. A atenção primária à saúde é fundamental, com consultas mensais até o sexto mês de vida e, posteriormente, a cada três meses até completar um ano. A gerente de investimento e impacto social da Umane, Evelyn Santos, afirma que monitorar o desenvolvimento infantil é essencial para garantir que as crianças alcancem seu potencial.
O que é QI?
QI é uma medida que avalia a capacidade intelectual em relação à média da população, calculada a partir de testes que analisam habilidades como raciocínio lógico e resolução de problemas. Embora não abranja todas as formas de inteligência, é uma das melhores ferramentas disponíveis para medir o potencial cognitivo, segundo a autora do estudo. A pesquisa ressalta a importância de investir em políticas públicas que melhorem o desenvolvimento infantil desde o início da vida, impactando o futuro das crianças.