Donald Trump volta seus olhos para a América Latina em um momento crítico, buscando na região uma peça-chave para reverter a crise de hegemonia dos Estados Unidos. A investida ocorre em um contexto de crescente divisão política interna e de desafios externos, especialmente a ascensão econômica e diplomática da China, que ameaça a influência global americana.
Com o objetivo de reestruturar o poderio dos EUA, Trump adota uma postura agressiva na região, combinando pressão militar, chantagens econômicas e negociações seletivas com governos específicos. A estratégia busca não apenas conter a expansão chinesa, mas também assegurar o acesso a recursos naturais estratégicos e mão de obra barata.
A escalada recente incluiu acusações contra o presidente colombiano Gustavo Petro, a quem Trump associou ao tráfico de drogas, além da suspensão de subsídios a Bogotá. Em paralelo, um ataque militar a uma embarcação colombiana, supostamente ligada ao grupo guerrilheiro ELN, elevou as tensões e gerou acusações de violação da soberania colombiana.
Em resposta às ações de Trump, Petro acusou o ex-presidente de planejar um golpe de Estado contra seu governo, aumentando a instabilidade na região. O historiador Roberto Moll, da UFF, avalia que a postura de Trump revive a “Guerra contra as Drogas” como justificativa para intervenções e exploração, criando uma narrativa que responsabiliza a América Latina pelos problemas de drogadição nos EUA.
A política externa de Trump também se estende a outros países da região, com ameaças à Venezuela, tarifas ao Brasil e apoio financeiro à Argentina, onde aposta no alinhamento de Javier Milei. A disputa com a China, que ampliou investimentos em infraestrutura, energia e mineração na América Latina, é outro fator determinante na estratégia de Trump.
Fonte: http://www.metropoles.com