Trump na Ásia: Entre a Disputa com a China e a Possibilidade de Encontro com Lula

Trump na Ásia: Entre a Disputa com a China e a Possibilidade de Encontro com Lula

Trump na Ásia: Entre a Disputa com a China e a Possibilidade de Encontro com Lula 1024 683 Carlos Fenille

Donald Trump embarcou nesta sexta-feira para uma importante agenda diplomática na Ásia, buscando reafirmar a liderança dos Estados Unidos em um cenário global cada vez mais disputado. A viagem inclui visitas à Malásia, Japão e Coreia do Sul, e a expectativa é alta em relação ao possível encontro com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur.

Essa viagem, considerada de alto risco político, reserva um momento crucial: o primeiro encontro presencial de Trump com o presidente chinês, Xi Jinping, em seu segundo mandato. O objetivo central é conter a crescente influência de Pequim no Sudeste Asiático e buscar a reabertura de canais de diálogo após um período de tensões comerciais. A complexidade aumenta com a possibilidade de um encontro com Lula, em meio a recentes divergências entre Brasil e EUA.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que o presidente iniciou sua viagem rumo à Malásia na noite de sexta-feira, onde participará do jantar de abertura da cúpula da Asean no domingo. A agenda de Trump inclui reuniões bilaterais com líderes regionais, como o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, e seus homólogos do Camboja e da Tailândia.

Apesar da expectativa, um encontro entre Trump e Lula não constava na agenda oficial divulgada pela Casa Branca. Nos bastidores, assessores de ambos os governos consideram a reunião “altamente provável”, visando uma reaproximação após as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros. Lula deve insistir na retirada das tarifas e propor novas parcerias comerciais, buscando destravar pautas econômicas e abrir espaço para cooperação em áreas como energia, tecnologia e meio ambiente.

Além da vertente diplomática, a cúpula da Asean representa para o Brasil uma oportunidade de se consolidar como interlocutor entre o Sul Global e as grandes potências. A agenda de Lula inclui reuniões com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e empresários asiáticos, reservando espaço para o possível encontro com Trump. Segundo o historiador Roberto Moll, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apesar da cautela necessária, Lula e a diplomacia brasileira estão preparados para lidar com Trump, buscando negociar tarifas e ampliar parcerias comerciais sem comprometer a soberania nacional.

Recentemente, os presidentes realizaram uma videoconferência que ambos descreveram como “muito boa”, abordando temas como comércio, tarifas e sanções. Em agosto, Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros, gerando críticas de Lula, que destacou o prejuízo à soberania nacional. A aproximação com Trump é vista como uma tentativa de recuperar espaço comercial perdido, enquanto Trump busca fortalecer a relação com o Brasil para conter a influência chinesa e proteger setores estratégicos.

Fonte: http://www.metropoles.com

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