Em um gesto que carrega forte simbolismo político, os Estados Unidos anunciaram, neste domingo (2/11), o envio de US$ 3 milhões em ajuda humanitária a Cuba, após a passagem devastadora do furacão Melissa. A tempestade, que deixou um rastro de destruição e ceifou a vida de pelo menos 60 pessoas no Caribe, atingiu em cheio as províncias orientais da ilha.
A ajuda americana será distribuída diretamente à população das áreas mais afetadas, como Santiago de Cuba, Holguín e Granma, por meio de uma parceria com a Igreja Católica. O anúncio foi feito pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano, através da rede social X. As províncias sofreram com a destruição de milhares de casas, colapso da rede elétrica e bloqueio de estradas.
O governo cubano, que estima ter evacuado preventivamente mais de 700 mil pessoas, minimizando as perdas de vidas, reconhece a severidade dos danos materiais. Contudo, o gesto americano ocorre em um contexto de tensas relações bilaterais, marcadas por décadas de embargo econômico e divergências ideológicas.
Na sexta-feira (31/10), o Departamento de Estado americano já havia expressado “apoio ao corajoso povo cubano”, declarando-se “pronto para fornecer ajuda humanitária imediata, tanto diretamente quanto por meio de parceiros locais”. A oferta, entretanto, não foi bem recebida por alguns setores do governo cubano.
Roberto Morales Ojeda, membro do politburo do Partido Comunista de Cuba, classificou a oferta americana como “indigna”. Segundo ele, “se fosse sincera a vontade desse governo de apoiar o nosso povo, teriam levantado sem condições o bloqueio criminoso”. Até o momento, Cuba não se pronunciou oficialmente sobre se aceitará a ajuda americana. O furacão Melissa causou estragos generalizados no Caribe, com prejuízos estimados em US$ 52 bilhões.
Fonte: http://www.metropoles.com