A megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, gerou repercussão imediata em países vizinhos. Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai elevaram a segurança em suas fronteiras, temendo a fuga de membros das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa reação demonstra a crescente preocupação com a expansão e influência dessas organizações criminosas.
A resposta dos países vizinhos não se limitou ao reforço das fronteiras. Argentina e Paraguai classificaram formalmente o CV e o PCC como organizações terroristas, sinalizando uma mudança de postura em relação a essas facções. Paralelamente, o governo do Rio de Janeiro busca o reconhecimento do Comando Vermelho como Organização Criminosa Transnacional (TCO) pelos Estados Unidos, visando uma cooperação mais direta com agências norte-americanas.
De acordo com a ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, o país está tomando medidas rigorosas para evitar que as facções brasileiras exerçam poder em prisões argentinas, como, segundo ela, ocorre em outros países. “Temos pessoas que são muito bem vigiadas entre si, para que não exerçam nenhum tipo de poder. Eles não conseguiram, nas prisões argentinas, o que conseguiram, infelizmente, em outros países — inclusive no Brasil e no Paraguai”, declarou Bullrich.
O governo do Paraguai, por sua vez, intensificou o controle migratório e a vigilância estratégica na fronteira com o Brasil. O presidente Santiago Peña pretende formalizar a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas por meio de decreto. “Todas as forças disponíveis serão mobilizadas para proteger cidadãos e instituições democráticas”, afirmou Peña, evidenciando a gravidade da situação.
Enquanto isso, o presidente eleito da Bolívia, Rodrigo Paz, solicitou o aumento do controle nas fronteiras com o Brasil, destacando a necessidade de impedir a infiltração de estruturas criminosas estrangeiras. O Uruguai também anunciou o reforço da segurança fronteiriça, em coordenação com forças locais e agências internacionais.
O governo do Rio de Janeiro entregou um relatório detalhado sobre as atividades do Comando Vermelho ao Consulado dos Estados Unidos, buscando o reconhecimento da facção como TCO. O objetivo é permitir sanções financeiras contra líderes do CV por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) dos EUA, restringindo recursos de bancos e empresas que facilitem as atividades da facção.
O Comando Vermelho, com raízes no sistema prisional do Rio de Janeiro, expandiu suas operações para além das fronteiras brasileiras, atuando em rotas de tráfico de drogas internacionais e estabelecendo conexões com cartéis da América do Sul. O PCC, por sua vez, está presente em pelo menos 28 países, consolidando uma estrutura transnacional para o tráfico de drogas e armas.
Diante desse cenário, o governo federal planeja endurecer o combate ao crime organizado com o envio ao Congresso do PL Antifacção. O projeto cria o tipo penal “organização criminosa qualificada” e aumenta as penas para integrantes, financiadores e servidores públicos ligados a facções, demonstrando a crescente preocupação com a escalada do crime organizado e suas ramificações internacionais.
Fonte: http://www.metropoles.com