Em resposta a declarações recentes do presidente americano Donald Trump sobre a possível retomada de testes nucleares, a Rússia emitiu um alerta claro: se os Estados Unidos romperem o acordo de proibição, Moscou reagirá de forma espelhada. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, enfatizou que a Rússia permanece comprometida com suas obrigações atuais, mas não hesitará em defender sua paridade estratégica.
Peskov destacou que o presidente Vladimir Putin reiteradamente confirmou o compromisso russo com a proibição de testes nucleares. No entanto, ele ressaltou que, diante de uma violação por parte de outro país, a Rússia se verá obrigada a responder da mesma forma. “Se outro país violar os compromissos relacionados à proibição de testes nucleares, a Rússia terá de fazer o mesmo para manter a paridade”, afirmou Peskov em entrevista à mídia local.
O anúncio russo surge em um momento de crescente tensão global, exacerbada pela guerra na Ucrânia e pelo aumento da desconfiança entre Moscou e o Ocidente. A declaração de Trump de que pretende reavaliar a política de testes nucleares americana, com o objetivo de garantir “paridade estratégica” com Rússia e China, elevou ainda mais a temperatura.
Apesar das preocupações internacionais, Peskov negou que os recentes testes com o míssil Burevestnik e o torpedo Poseidon, ambos com capacidade de carregar ogivas nucleares, configurem violações da moratória. Ele classificou as especulações sobre esses testes como “superficiais e incorretas”, embora Trump tenha citado esses experimentos como justificativa para sua revisão da política americana.
Desde 1992, os Estados Unidos mantêm uma moratória informal sobre testes nucleares, enquanto a Rússia segue prática semelhante desde 1990. A retomada de testes por qualquer uma das potências poderia desencadear uma nova corrida armamentista, desestabilizando o cenário geopolítico e comprometendo a busca por acordos de paz duradouros, segundo analistas internacionais.
Fonte: http://www.metropoles.com