Em Belém, diplomatas dos 194 países participantes da COP30 intensificaram as negociações neste sábado (15/11), buscando superar impasses cruciais antes da chegada dos ministros de Estado na segunda-feira (17). O objetivo é consolidar um texto definitivo que pavimente o caminho para as decisões políticas de alto nível que marcarão a reta final da conferência climática.
Apesar de o sábado estar inicialmente previsto como um dia sem compromissos oficiais, a persistência de desafios complexos exigiu a continuidade das discussões. A expectativa é que, com o avanço nas negociações técnicas, os ministros encontrem um terreno mais fértil para alcançar um acordo ambicioso e eficaz.
Liliam Chagas, negociadora-chefe da delegação brasileira, descreveu os diálogos como “nervosos” e comparou-os a uma “montanha-russa”. Contudo, ressaltou progressos significativos, especialmente em temas prioritários para o Brasil, como a transição justa para países menos desenvolvidos e a definição de parâmetros de adaptação às mudanças climáticas.
Um ponto de tensão emerge das discussões sobre as métricas de adaptação, com países africanos preferindo adiar a decisão para a COP32, na Etiópia, buscando garantias de financiamento e viabilidade para os países mais pobres. Alexandre Prado, especialista da WWF Brasil, alerta para o risco de prolongar indefinidamente as discussões, defendendo um acordo nos pontos já consolidados.
Florence Laloë, da Conservation International, destaca a importância de implementar os compromissos climáticos já assumidos, acelerando soluções eficazes e promovendo a sinergia entre clima e biodiversidade. “Essa é uma COP totalmente focada na natureza”, enfatiza Laloë, “colocando a atenção do mundo não só na natureza, como nos povos indígenas, comunidades locais e a população que depende desse ecossistema para sobreviver”.
Ainda segundo especialistas, o sucesso da COP30 depende do desbloqueio do financiamento climático dos países desenvolvidos para as nações em desenvolvimento, e também da discussão sobre a redução da dependência dos combustíveis fósseis, tema que enfrenta resistência de grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita. A inclusão de subtemas como os compromissos climáticos dos países e a transparência também estão entre as fricções da negociação.
Fonte: http://www.metropoles.com