Neste domingo, os chilenos retornam às urnas para o primeiro turno de uma eleição presidencial crucial, que definirá o sucessor de Gabriel Boric, da Frente Ampla. A disputa escancara a polarização que assola o país desde os protestos de 2019, agora concentrada entre uma candidata comunista com discurso moderado e figuras da direita com propostas de lei e ordem.
A mais recente pesquisa Atlas/Intel aponta Jeannette Jara, do Partido Comunista, na liderança com 33,2% das intenções de voto. Em segundo lugar, aparecem José Antonio Kast, do Partido Republicano, e Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertário, ambos empatados com 16,8%. A eleição reflete um momento de transformação no Chile, onde a segurança pública se tornou a principal preocupação dos cidadãos.
Historicamente considerado um dos países mais seguros da América Latina, o Chile enfrenta um aumento alarmante da criminalidade. Segundo a pesquisa Ipsos, 63% dos chilenos apontam a segurança como o maior problema, colocando o país em segundo lugar entre 30 nações avaliadas. Os números revelam uma deterioração da sensação de segurança, com um aumento significativo nas taxas de homicídio e sequestros.
Jeannette Jara, a favorita, busca capitalizar essa preocupação com a segurança, mesmo sendo identificada com a esquerda. “Vamos tratar a segurança desde o primeiro dia”, promete Jara, que também endureceu o discurso sobre imigração, defendendo maior controle de fronteiras, uma estratégia vista como forma de neutralizar o apelo da direita.
A disputa também expõe a década mais turbulenta do Chile, marcada pelo “Estallido Social” de 2019 e pelas tentativas fracassadas de mudança constitucional. Essa desilusão abriu caminho para o crescimento da direita radical, com José Antonio Kast, admirador de Pinochet, e Johannes Kaiser, conhecido por suas posições ultraliberais, buscando capitalizar o sentimento de insegurança e a demanda por ordem pública.
Kast, apelidado de “Bolsonaro Chileno”, defende linha dura contra o crime e a expulsão de imigrantes irregulares. Enquanto isso, Johannes Kaiser, famoso por seus vídeos online, questionou o voto feminino e propôs deportações em massa. Em contrapartida, Evelyn Matthei, da centro-direita, busca se apresentar como uma opção mais moderada, focando em políticas de segurança mais técnicas.
Fonte: http://www.metropoles.com