Declarações recentes do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, sobre a cidade de Belém, no Brasil, geraram uma onda de críticas e acusações de xenofobia por parte de parlamentares alemães. O Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro no Bundestag expressou sua discordância, interpretando as falas de Merz como uma comparação desfavorável entre o Brasil e a Alemanha.
Em um discurso a empresários, Merz exaltou a beleza da Alemanha, mencionando que jornalistas que o acompanharam em Belém durante a Cúpula de Líderes ficaram contentes em retornar à Europa. Essa observação foi vista como depreciativa em relação à cidade brasileira, que sediará a COP30, conferência climática da ONU, em 2025.
A deputada Isabel Cademartori, do Partido Social-Democrata (SPD), alertou que “um chanceler alemão deve evitar dar a impressão de que trata os importantes países parceiros do Sul Global com arrogância ocidental.” A declaração, segundo ela, prejudica a reputação internacional da Alemanha e é inadequada, especialmente no contexto das negociações para o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
Outros parlamentares da oposição também se manifestaram. Anton Hofreiter, dos Verdes, classificou a fala como “arrogante”, enquanto Maren Kaminski, do partido A Esquerda, a considerou “presunçosa”. Rainer Rothfuß, presidente do grupo parlamentar e filiado ao AfD, ecoou as críticas, citando o prefeito de Belém ao descrever as declarações de Merz como “infelizes, arrogantes e preconceituosas.”
Diante da polêmica, o governo alemão emitiu uma nota elogiando o Brasil e afirmando que Merz tem “grande respeito pelo feito de organizar uma conferência internacional tão importante em Belém.” A nota também mencionou o interesse alemão em contribuir para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e ressaltou a importância da relação bilateral, dada a presença de mais de um milhão de falantes de alemão no Brasil.
No Brasil, a reação foi imediata. O presidente Lula rebateu as declarações com elogios a Belém, enquanto o Senado aprovou um voto de censura contra Merz. Segundo o senador Zequinha Marinho, as falas do premiê alemão carregam “um tom xenófobo e preconceituoso”, que “desrespeita não apenas a cidade de Belém, mas todo o povo brasileiro e, sobretudo, a Amazônia.”
Fonte: http://www.metropoles.com