A cúpula do G20, sediada em Joanesburgo, emerge como um reflexo das crescentes fraturas geopolíticas globais. A ausência de líderes de peso como Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping e Javier Milei lança uma sombra sobre o encontro, que marca a estreia do continente africano como palco do evento. A reunião, no entanto, também representa uma oportunidade para a África do Sul consolidar sua liderança regional e impulsionar os interesses do continente nas discussões globais.
A participação dos Estados Unidos na cúpula tem sido marcada por incertezas e tensões. Inicialmente, o governo sul-africano anunciou a presença americana, mas a Casa Branca desmentiu a informação, confirmando que apenas o embaixador dos EUA comparecerá à cerimônia de transição, sem participar das negociações formais. A relação entre África do Sul e Estados Unidos tem enfrentado desafios, especialmente desde o retorno de Donald Trump à presidência, que criticou o que chamou de “racismo” contra brancos no país e ameaçou boicotar o encontro.
“A cúpula que reflete as fraturas geopolíticas, mas será também uma oportunidade para a África do Sul consolidar sua liderança regional e colocar os interesses do continente no centro das discussões”, avaliou o jornal francês Les Échos. Em meio às ausências notáveis, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, busca transformar a cúpula em um sucesso, priorizando pautas africanas como a redução de riscos de desastres, a transição energética, a exploração de minerais críticos e, principalmente, a crise da dívida dos países em desenvolvimento, que atinge a cifra de US$ 31 trilhões.
Outros líderes, como Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Emmanuel Macron, da França, marcarão presença no encontro. Lula já expressou seu apoio à África do Sul, enquanto Macron pretende reforçar o multilateralismo durante as discussões. A programação da cúpula abrange temas cruciais como desenvolvimento econômico, comércio internacional, mudanças climáticas e transição energética, com a União Europeia buscando discutir à margem do evento o plano de paz americano para a Ucrânia.
A cúpula do G20 em Joanesburgo encerra um ciclo de presidências lideradas por países do Sul Global, após Indonésia, Índia e Brasil, que impulsionaram temas como desenvolvimento sustentável e desigualdade na agenda global. Imediatamente após o G20, uma cúpula entre a União Europeia e a União Africana será realizada em Luanda, com a participação de Emmanuel Macron, consolidando a importância do diálogo entre os continentes.
Fonte: http://www.metropoles.com