Neste domingo, Honduras realiza eleições presidenciais, legislativas e municipais cruciais para o futuro do país. Mais de seis milhões de hondurenhos irão às urnas em um cenário de crescente preocupação com o crime organizado, a corrupção e a fragilidade das instituições democráticas. A votação definirá o próximo presidente, 128 deputados e centenas de prefeitos, em um momento de grande incerteza.
A disputa presidencial coloca em lados opostos a esquerda, buscando a reeleição com Rixi Moncada pelo partido Liberdade e Refundação (Libre), e os partidos conservadores Partido Liberal (PL), com Salvador Nasralla, e Partido Nacional (PN), com Nasry Asfura. As pesquisas indicam um empate técnico entre os três principais candidatos, acentuando a tensão pré-eleitoral. A eleição ocorre em meio a um estado de emergência declarado em 2022 para combater o avanço de gangues e do narcotráfico, que ainda exercem forte influência em diversas regiões do país.
A desconfiança no processo eleitoral é generalizada, alimentada por incidentes nas primárias de março e pela percepção de falta de imparcialidade nas instituições eleitorais. “Honduras não conta com uma instituição eleitoral imparcial”, afirma Daniel Vásquez, especialista em Honduras do CNRS e CEMCA, ressaltando que o Conselho Nacional Eleitoral é controlado pelos partidos políticos.
As preocupações com a fragilidade das instituições eleitorais se somam a um histórico de instabilidade política e à persistente crise econômica. Dois terços da população vivem abaixo da linha da pobreza, e a busca por emprego, saúde e comida se sobrepõe às preocupações com a violência e a corrupção. A falta de propostas concretas dos candidatos para enfrentar os desafios do país também contribui para o desencanto da população.
Diante da falta de perspectivas, milhares de hondurenhos continuam a emigrar para os Estados Unidos, gerando remessas que representam uma parcela significativa do PIB do país. A relação com os EUA, abalada por decisões recentes, é um tema central nas eleições. O resultado das eleições, em um cenário tão complexo, é incerto, e a aceitação dos resultados será crucial para evitar uma nova crise política.
Fonte: http://www.metropoles.com