A ofensiva internacional liderada por Eduardo Bolsonaro para influenciar na situação legal de seu pai, Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos, resultou em um “fracasso espetacular”, conforme avaliação do Financial Times. A publicação britânica aponta que a ação aprofundou a crise interna enfrentada pela família Bolsonaro, expondo as divisões e incertezas que pairam sobre o futuro do movimento. O artigo descreve um cenário de desintegração política, com o ex-presidente preso e a direita brasileira à procura de uma nova liderança para 2026.
O jornal detalha a tentativa de Eduardo Bolsonaro de persuadir o governo de Donald Trump a pressionar o Judiciário brasileiro. No entanto, a estratégia teve um efeito reverso, com a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, irritando empresários e gerando desgaste para o Brasil sem alterar as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa expôs a aparente falta de direção do bolsonarismo, segundo a análise do Financial Times.
Uma fonte do mercado financeiro brasileiro, citada pelo jornal, expressou duras críticas à conduta da família Bolsonaro: “Os erros da família Bolsonaro levaram a uma destruição significativa do valor da marca política. A família enlouqueceu e o que Eduardo fez é absolutamente repreensível.” A publicação ainda retrata Jair Bolsonaro como “solitário e abatido” no momento de sua prisão em novembro.
A direita brasileira, diante desse cenário, busca alternativas de liderança fora do círculo familiar Bolsonaro. O nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surge como um favorito entre o setor empresarial e a elite conservadora. Contudo, aliados de Tarcísio indicam que sua candidatura dependerá da desistência de Bolsonaro em lançar um nome de sua própria família, evidenciando a disputa interna no campo conservador.
O Financial Times conclui que, mesmo com seu fortalecimento, Tarcísio enfrentaria um cenário desafiador em 2026, considerando a possível candidatura de Lula a um quarto mandato e um contexto econômico relativamente favorável. Analistas ponderam se Bolsonaro priorizará a política, apoiando Tarcísio, ou se manterá o foco no movimento bolsonarista e em seus filhos. A decisão, segundo interlocutores próximos ao ex-presidente, é esperada para o final do ano.
Fonte: http://www.metropoles.com