Ouvir para entender: filmes em que o som conta a história

Ouvir para entender: filmes em que o som conta a história

Ouvir para entender: filmes em que o som conta a história 1024 683 Redação Regional

De Parasita a Zona de Interesse, trilhas e desenhos de som deixam de ser acompanhamento e passam a carregar a narrativa

No cinema, o som costuma ser percebido apenas quando falha. Há filmes, porém, em que trilha sonora, ruídos e até o silêncio fazem parte do roteiro, guiando emoções e revelando o que a imagem esconde. Para quem quer prestar atenção nesse elemento, alguns títulos funcionam como verdadeiras aulas de escuta.

Em Parasita (2019), de Bong Joon-ho, o som acompanha a geografia social da história. A mesma chuva que estraga o acampamento da família rica inunda o semiporão onde vivem os Kim. A música de Jung Jae-il, que depois assinaria a trilha de Round 6, usa tons quase barrocos para dar uma elegância irônica aos golpes da família protagonista.

Outros filmes em que o som é protagonista:

Tubarão (1975) – Duas notas de John Williams bastaram para anunciar o perigo e manter o tubarão escondido durante boa parte do filme. A trilha venceu o Oscar e virou sinônimo de ameaça.

Era uma Vez no Oeste (1968) – Ennio Morricone criou temas para cada personagem, e a gaita de um deles guarda o segredo que move a história de Sergio Leone.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014) – A relação entre um jovem baterista e um professor tirânico é contada em ritmo de jazz, com montagem guiada pela música. O longa levou três Oscars, entre eles o de mixagem de som.

Dunkirk (2017) – Christopher Nolan e o compositor Hans Zimmer usam o tique-taque de um relógio e uma ilusão sonora de tensão crescente para transformar a retirada de soldados em contagem regressiva.

Um Lugar Silencioso (2018) – Em um mundo dominado por criaturas que caçam pelo som, qualquer ruído pode ser fatal. O silêncio vira linguagem, e a língua de sinais, ferramenta de sobrevivência.

O Som do Silêncio (2019) – Riz Ahmed vive um baterista que perde a audição. O desenho de som coloca o espectador dentro da experiência do personagem e venceu o Oscar de Melhor Som.

Zona de Interesse (2023) – Enquanto a câmera mostra a rotina tranquila da família do comandante de Auschwitz, o horror do campo de concentração chega apenas pelos ruídos do outro lado do muro. O filme ganhou o Oscar de Melhor Som.

Pecadores (2025) – O blues é o coração do terror de Ryan Coogler, e a trilha de Ludwig Göransson, que liga música, ancestralidade e sobrenatural, venceu o Oscar em 2026.

Uma dica para a próxima sessão: assistir com bons fones de ouvido ou em uma sala com sistema de som de qualidade. Alguns desses filmes revelam metade da história pelos ouvidos.

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