Uma operação inesperada da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (U.S. Border Patrol) lançou uma sombra de medo sobre a comunidade brasileira em Charlotte, Carolina do Norte. O último fim de semana foi marcado por ruas desertas e cancelamento de atividades rotineiras, como idas ao supermercado e cultos religiosos. O que antes era uma área tranquila para imigrantes transformou-se em um cenário de apreensão.
Segundo a organização Mutual Embrace Latino Voices, que oferece suporte a imigrantes latinos e brasileiros, ao menos 81 pessoas foram detidas no primeiro dia da operação, incluindo três cidadãos brasileiros. A ação gerou pânico e forçou muitos a se refugiarem em suas casas, temendo a deportação.
“Todo mundo que eu conheço ficou dentro de casa”, relatou Admisterlan Mendes, residente de Indian Trail há quase nove anos, descrevendo o clima de medo coletivo. Mendes relatou ter presenciado uma intensa movimentação de agentes, inclusive em locais como supermercados, lojas e igrejas, algo inédito na região, que antes era considerada segura.
A comunicação em tempo real através de grupos de WhatsApp se tornou uma ferramenta crucial para a comunidade. Brasileiros compartilhavam informações sobre a localização dos agentes, permitindo que outros evitassem áreas de risco. “Se a gente vê que estão em South Charlotte, ninguém vai pra lá”, explicou Mendes, ilustrando como a comunidade se uniu para se proteger.
A operação também impactou as igrejas brasileiras, importantes centros comunitários. Diversas congregações cancelaram seus cultos, como a Lagoinha Charlotte, devido à presença de agentes na região. Vídeos compartilhados mostram o pânico, com pessoas correndo para áreas de mata ao avistarem viaturas perto de uma igreja latina em East Charlotte.
O medo da deportação imediata é particularmente intenso entre aqueles que entraram nos EUA pelo México. Mensagens que circulam na comunidade indicam que esses imigrantes estariam sendo deportados sem direito a fiança, enquanto aqueles com visto enfrentam custos elevados para evitar a deportação.
A duração da operação ainda é incerta. Documentos compartilhados entre imigrantes sugerem que pode durar cerca de dez dias, mas a U.S. Border Patrol não confirmou oficialmente essa informação. Enquanto isso, a comunidade brasileira se mantém em alerta, reorganizando suas vidas e buscando apoio mútuo em meio a um futuro incerto.
Fonte: http://www.metropoles.com