Em meio à Guerra, Russos e Ucranianos Buscam no Tarô Respostas e Conforto

Em meio à Guerra, Russos e Ucranianos Buscam no Tarô Respostas e Conforto

Em meio à Guerra, Russos e Ucranianos Buscam no Tarô Respostas e Conforto 1024 683 Carlos Fenille

Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, uma busca incomum por respostas tem ganhado força em ambos os lados: a leitura de cartas de tarô. Em Moscou e Kiev, tarólogos relatam um aumento significativo de consultas, refletindo a ansiedade em relação a ataques, a segurança de entes queridos e o futuro incerto das cidades sob a ameaça constante de bombardeios.

De acordo com o Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS), cerca de 43% dos ucranianos acreditam em práticas esotéricas, incluindo o tarô. A adesão é maior entre as mulheres, alcançando 49%, enquanto entre os homens o índice é de 36%. Para muitos, as cartas oferecem um refúgio para a autorreflexão e um guia simbólico em tempos de imprevisibilidade.

Historicamente, o tarô possui raízes profundas na região, mesmo durante a era soviética, quando o ocultismo era marginalizado. Redes clandestinas de publicação, chamadas “samizdat”, permitiram que livros e baralhos circulassem discretamente, perpetuando a tradição para as gerações futuras. Hoje, o interesse ressurgiu, impulsionado pelas redes sociais e pela crise desencadeada pelo conflito.

Na Rússia, leitores de tarô como Anton Suvorkin e Anzhelika Akulenko se tornaram influenciadores nas redes sociais, analisando as consequências da guerra e o futuro político do país. As vendas de cartas de tarô no país aumentaram sete vezes nos últimos quatro anos, atingindo aproximadamente US$ 20 milhões em 2024, conforme dados da Forbes.

Ainda assim, tarólogos experientes mantêm limites éticos. Alguns se recusam a fazer previsões sobre mobilização militar ou estratégias de combate, ressaltando que a decisão final cabe ao indivíduo. As leituras também refletem narrativas políticas, com muitos tarólogos russos interpretando as cartas para reforçar a ideia de que a Rússia prevalecerá no conflito.

Na Ucrânia, o tarô parece ter uma função mais simbólica e pessoal. Como afirmou a taróloga Fania ao portal ucraniano Kyiv Independent: “As cartas nos ajudam a lidar com o medo e a incerteza. Elas não dizem a data exata de um ataque ou o fim da guerra, mas indicam caminhos e possibilidades, ajudando as pessoas a se prepararem emocionalmente”. O aumento das consultas reflete o impacto psicológico da guerra prolongada, com muitos cidadãos buscando no tarô uma forma de enfrentar a insegurança diária e o risco constante.

Fonte: http://www.metropoles.com

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