Negociações entre delegações dos Estados Unidos e da Ucrânia foram retomadas nesta sexta-feira em Miami, com o objetivo de destravar as discussões de paz para o conflito com a Rússia. Autoridades ucranianas descreveram o encontro como uma continuação de “conversas construtivas” anteriormente realizadas com representantes do governo americano, sinalizando uma busca ativa por soluções diplomáticas.
Oleksandr Bevz, assessor do chefe de gabinete da Presidência ucraniana, revelou que os diálogos se concentram em “aspectos-chave do processo de paz”. Os resultados dessas discussões serão apresentados ao presidente Volodymyr Zelensky ainda nesta sexta-feira, fornecendo a base para a definição dos próximos passos da equipe de negociação. A expectativa é alta para que Zelensky articule uma estratégia clara após a análise dos informes.
As tratativas ocorrem logo após um encontro de quase cinco horas entre Vladimir Putin e os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner em Moscou. O Kremlin classificou a conversa como “útil e substancial”, embora não tenha produzido avanços concretos. Uma das principais exigências russas permanece a entrega total da região de Donbas, um ponto de discórdia central nas negociações.
Entretanto, as ameaças de Putin ganharam destaque, especialmente após sua declaração de que a Rússia tomará Donbas “por meios militares ou outros” caso a Ucrânia não retire suas tropas. Atualmente, Moscou controla cerca de 19,2% do território ucraniano, incluindo áreas significativas em Luhansk, Donetsk, Kherson, Zaporizhzhia, Kharkiv e Sumy. Essa postura agressiva adiciona pressão às negociações em andamento.
Em resposta, Zelensky afirmou que a Ucrânia está preparada “para quaisquer desdobramentos possíveis”, mas reafirmou que a paz não pode envolver concessões territoriais. O presidente ucraniano enfatizou que sua prioridade é entender “exatamente o que foi dito na Rússia” durante a reunião com os enviados americanos, buscando informações detalhadas sobre eventuais novas exigências de Putin. O futuro das negociações permanece incerto, com a Ucrânia buscando um acordo que garanta uma “paz digna” e compromissos de segurança, como o avanço no processo de adesão à União Europeia.
Fonte: http://www.metropoles.com