O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, viajou a Moscou nesta sexta-feira para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin. A segurança energética e o impacto regional do conflito na Ucrânia dominaram a agenda, em um momento de tensões crescentes entre Budapeste e a União Europeia, e de incertezas sobre negociações de paz. A visita, previamente anunciada pelo chanceler húngaro Peter Szijjarto, sublinha a complexa relação entre Hungria e Rússia em meio à crise geopolítica.
Orbán enfatizou, antes da viagem, que sua prioridade é garantir o fornecimento contínuo de gás e petróleo russos para o inverno e o próximo ano, a preços acessíveis. Ele reconheceu que o conflito na Ucrânia seria um tema inevitável nas discussões. “A Ucrânia é vizinha da Hungria, razão pela qual a Hungria sente plenamente os efeitos do conflito ucraniano, incluindo um impacto econômico considerável, já que a cooperação econômica está sendo prejudicada pelas hostilidades”, declarou o premiê.
Paralelamente à reunião, persistem as discussões sobre um possível plano de paz para a Ucrânia. Putin já declarou que não aceitará um cessar-fogo incondicional, argumentando que isso apenas daria tempo para a Ucrânia e seus aliados se reorganizarem militarmente. Ele insiste que as hostilidades cessarão somente após a retirada das tropas ucranianas dos territórios ocupados pela Rússia.
Segundo o Kremlin, Putin elogiou a postura “equilibrada” da Hungria em relação à guerra na Ucrânia. Apesar de uma queda de 23% no comércio bilateral em 2024, atribuída a “restrições externas”, o presidente russo notou sinais de recuperação no intercâmbio comercial neste ano. Ele destacou a energia como um “pilar fundamental” da parceria bilateral e expressou satisfação com a disposição de Orbán em manter o diálogo.
Orbán, por sua vez, reiterou a política externa “soberana” da Hungria e a recusa em ceder à pressão internacional para romper laços com Moscou. Ele reafirmou que a estabilidade no fornecimento de energia russa é essencial para a segurança energética húngara e reiterou o interesse do país na paz, oferecendo-se para sediar negociações sobre a Ucrânia. Putin também agradeceu a disposição de Budapeste em sediar um eventual encontro com Donald Trump, caso as negociações de paz avancem.
Fonte: http://www.metropoles.com