Em troca de reféns, Israel liberta centenas de palestinos em meio a celebrações e tensões

Em troca de reféns, Israel liberta centenas de palestinos em meio a celebrações e tensões

Em troca de reféns, Israel liberta centenas de palestinos em meio a celebrações e tensões 1024 683 Carlos Fenille

Gritos de alegria romperam o silêncio na segunda-feira (13/10) quando Israel libertou cerca de dois mil prisioneiros palestinos. A ação faz parte de um acordo que também garantiu a libertação de 20 reféns israelenses mantidos pelo Hamas na Faixa de Gaza. A troca de prisioneiros e reféns é um dos pilares do cessar-fogo que busca encerrar dois anos de conflito no território palestino.

Multidões se reuniram para saudar os prisioneiros libertados em Beitunia, na Cisjordânia ocupada, e em Khan Younis, no sul de Gaza. Imagens mostram pessoas sendo carregadas nos ombros e outras sendo levadas a hospitais devido ao seu estado de saúde. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha coordenou o transporte dos ex-detentos.

Entre os libertados, estão 1.718 palestinos capturados pelas forças israelenses em Gaza durante o conflito com o Hamas. Eles foram mantidos sob custódia sem acusações formais. O grupo inclui cinco menores de 18 anos e duas mulheres, além de profissionais de saúde de Gaza que também foram presos sem justificativa aparente.

Para muitas famílias, a libertação traz alívio após um longo período de incerteza. “Os familiares muitas vezes não sabiam se seus parentes estavam detidos ou se haviam morrido em ataques”, relata a agência de notícias Metrópoles. Grande parte dos presos foi mantida em detenção administrativa, uma prática que permite a prisão por tempo indeterminado sem acusação formal, amparada por leis aprovadas por Israel no início da guerra.

O grupo de libertados também inclui 250 palestinos que cumpriam longas penas por ataques contra israelenses, além de outros condenados por crimes menores. A maioria foi presa no início dos anos 2000, durante a Segunda Intifada, um período de intensa violência entre grupos armados palestinos e o exército israelense.

A lista de prisioneiros libertados inclui membros do Fatah e do Hamas, refletindo a complexidade política do conflito. Segundo o Ministério da Justiça de Israel, 159 dos libertos são ligados ao Fatah, enquanto 63 estão associados ao Hamas. Os demais não têm afiliação política clara ou pertencem a grupos menores.

Mais da metade dos libertados foi exilada por Israel e enviada ao Egito, de onde devem ser transferidos para outros países. O exílio é visto por muitos palestinos como uma punição severa, devido às restrições de movimento que dificultam o reencontro com suas famílias. “Foi uma jornada indescritível de sofrimento, fome, tratamento injusto, opressão, tortura e xingamentos, mais do que qualquer coisa que você possa imaginar”, disse Kamal Abu Shanab, um palestino da Cisjordânia que passou 18 anos na prisão.

A libertação dos prisioneiros possui um forte peso simbólico para ambos os lados do conflito. Muitos israelenses se opõem à soltura de indivíduos considerados terroristas, alguns dos quais foram condenados por ataques que resultaram na morte de civis e soldados. Por outro lado, palestinos veem muitos dos presos como líderes da resistência contra a ocupação militar israelense.

Organizações de direitos humanos estimam que Israel prendeu mais de 11 mil palestinos desde 7 de outubro de 2023. Apesar das pressões, a lista final de libertados não incluiu algumas lideranças de maior destaque do Hamas, do Fatah e da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).

Fonte: http://www.metropoles.com

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