Um estudo alarmante publicado no prestigiado British Medical Journal (BMJ) lança luz sobre a brutal realidade enfrentada pelos civis palestinos em Gaza. A pesquisa, divulgada na última quinta-feira (25/9), revela que os tipos de ferimentos observados em pacientes de Gaza são surpreendentemente semelhantes aos encontrados em militares atuando em campos de batalha. O estudo aponta que essas lesões, devastadoras e complexas, afetam desproporcionalmente crianças e adultos vivendo em áreas civis densamente povoadas.
Os resultados do estudo indicam que politraumatismos decorrentes de explosões, amputações múltiplas, queimaduras extensas e ferimentos penetrantes na cabeça não são eventos raros na Faixa de Gaza. Em vez disso, esses casos representam uma parcela significativa da “carga diária de atendimento dos profissionais de saúde no território palestino”, conforme destacado no relatório. A frequência e a gravidade dessas lesões sobrecarregam um sistema de saúde já debilitado.
A situação em Gaza se agrava com a escalada da crise humanitária, impulsionada pelo prolongado conflito entre Israel e o Hamas. A Faixa de Gaza permanece sob um cerco quase total pelas forças israelenses, que intensificaram suas operações para desmantelar o último reduto significativo do Hamas na região. O estudo do BMJ evidencia ainda mais a urgência de uma solução para a crise humanitária.
Médicos e outros profissionais de saúde que participaram do estudo, muitos com experiência em zonas de guerra ativas, expressaram choque com a magnitude e a severidade dos traumas em Gaza. “A escala e a gravidade do trauma em Gaza estavam além de qualquer coisa que já tivessem enfrentado”, relataram os profissionais, ressaltando a natureza excepcional da crise. Essa constatação sublinha o impacto devastador dos combates sobre a população civil.
Os dados analisados na pesquisa abrangem apenas os casos de indivíduos que conseguiram chegar a um centro médico para receber tratamento, excluindo aqueles que sucumbiram aos ferimentos no local. O estudo destaca que os profissionais de saúde palestinos, apesar das condições adversas, mantiveram os hospitais em funcionamento mesmo durante os bombardeios, frequentemente enfrentando a escassez de eletricidade, anestésicos e suprimentos médicos essenciais. A pesquisa revisada por pares, baseada em dados coletados entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025, aponta para o “impacto dos bombardeios aéreos indiscriminados e do uso de explosivos pesados em áreas civis”.
O Ministério da Saúde da Palestina informou que o número total de vítimas da ofensiva israelense desde 7 de outubro de 2023 já ultrapassa 65 mil mortos e 167 mil feridos. Esses números alarmantes destacam a necessidade urgente de um cessar-fogo e de uma resposta humanitária eficaz para aliviar o sofrimento da população civil em Gaza.
Fonte: http://www.metropoles.com