Jonas Eriksson, ex-árbitro da FIFA que apitou a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, expôs em seu livro, “House of Cards – O Jogo Sujo Atrás do Jogo”, supostos abusos e humilhações sofridas durante testes promovidos pela UEFA. A revelação ganhou destaque após publicação de trechos pelo jornal inglês The Guardian. O árbitro alega que a pressão estética e os métodos de avaliação eram degradantes.
Eriksson detalha que a cobrança ia além do desempenho em campo. “Você não precisava apenas ser um bom árbitro, mas também priorizar sua dieta, parecer um árbitro de alto nível e garantir que seu peso e porcentagens de gordura estivessem corretos. Caso contrário, você corria o risco de ser repreendido, ter menos jogos e acabar sendo deixado de lado”, relatou. A preocupação excessiva com a aparência física, segundo ele, era determinante para a progressão na carreira.
O ex-árbitro descreve um episódio particularmente incômodo ocorrido em 2010, durante uma avaliação supervisionada por Pierluigi Collina, então chefe da comissão de arbitragem. “Senti principalmente nojo, raiva e humilhação” disse Eriksson, referindo-se à forma como os testes eram conduzidos. Ele alega que os árbitros eram submetidos a procedimentos vexatórios.
“O problema não eram os testes em si, mas a forma como eram realizados”, explicou. Eriksson descreve que os árbitros eram forçados a ficar apenas de cueca em uma sala fria, sendo chamados um a um para subir na balança e ter seu peso anunciado publicamente. Ele relata ter se sentido constrangido e julgado ao ser examinado visualmente por Collina durante o processo.
Eriksson finaliza argumentando que o medo de represálias silenciava as críticas. “Se fizéssemos, teríamos assinado simultaneamente a sentença de morte das nossas carreiras”, afirmou. Ele critica a ênfase excessiva no peso e na gordura corporal, considerando que essa abordagem era humilhante e desviava o foco do que realmente importava: a qualidade da arbitragem.
Fonte: http://www.metropoles.com