Demora na liberação de corpos gera angústia entre os familiares

Familiares de mortos na Operação Contenção reclamam da falta de informações e da demora na liberação dos corpos, em Queimados, na Baixada Fluminense.
Nesta quinta-feira (30), em Queimados, na Baixada Fluminense, familiares de mortos na Operação Contenção expressaram sua angústia em relação à demora na liberação dos corpos e à falta de informações. Foram ao todo 121 mortos, incluindo 4 policiais, e o Instituto Médico Legal (IML) está dedicado exclusivamente ao trabalho de perícia.
Samuel Peçanha, pai de um dos jovens mortos, buscava informações sobre seu filho Michel Mendes Peçanha, de 14 anos. Ele relatou: “Faz dois dias que eu estou procurando alguma informação. Falaram que vão ligar, mas ninguém liga, ninguém fala nada.” Outros familiares também relataram a dificuldade em obter respostas sobre a identificação dos corpos.
Demora e angústia
Além da angústia pela falta de informações, as famílias enfrentam um dilema financeiro. Os custos dos sepultamentos particulares chegam a R$ 4 mil, enquanto a alternativa gratuita oferecida pela prefeitura não inclui velório e é feita em caixões fechados. A Defensoria Pública montou um posto de atendimento para ajudar as famílias que optam pelo enterro gratuito, mas a crítica se concentra na falta de dignidade desse procedimento.
Contexto da operação
Realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, a Operação Contenção deixou cerca de 120 pessoas mortas, sendo quatro policiais. A operação, a maior e mais letal no estado em 15 anos, teve o objetivo de conter o avanço da facção Comando Vermelho e cumprir 180 mandados de busca e apreensão. Foram realizadas 113 prisões e apreendidas 118 armas e 1 tonelada de drogas. Os confrontos causaram pânico na cidade, fechando principais vias e afetando escolas e comércios.