O governo francês elevou o tom contra a gigante do fast-fashion Shein, ameaçando bloquear o acesso à plataforma no país. A medida drástica surge em resposta à descoberta de bonecas com características infantis e conteúdo explícito à venda no site da empresa, levantando sérias preocupações sobre exploração e pedofilia.
A Direção-Geral da Concorrência, Proteção do Consumidor e Controle de Fraudes da França identificou os produtos e encaminhou o caso ao Ministério Público. Segundo a agência, as descrições e categorizações dos itens não deixavam dúvidas sobre a natureza pornográfica infantil dos produtos.
“Os limites foram ultrapassados”, declarou o ministro da Economia francês, Roland Lescure, em tom contundente. “Se esse comportamento se repetir, temos o direito de banir o acesso à plataforma Shein no mercado francês, e eu o farei.” O ministro enfatizou que a legislação francesa permite tal ação em casos envolvendo terrorismo, tráfico de drogas ou materiais pornográficos infantis.
De acordo com a lei francesa, as plataformas online devem remover conteúdo ilegal, como pornografia infantil, em até 24 horas. O não cumprimento pode levar ao bloqueio do acesso à plataforma por provedores de internet e mecanismos de busca, além da remoção dos resultados de pesquisa.
A situação se agrava com a proximidade da inauguração da primeira loja física permanente da Shein em Paris, o que gerou protestos e uma petição online com mais de 100 mil assinaturas. A ONG de proteção à infância Mouv’Enfants realizou um protesto em frente ao local, reforçando a gravidade das acusações.
“Enquanto essas bonecas estiverem disponíveis em algum lugar do mundo, a empresa continuará sendo cúmplice de um sistema que permite crimes sexuais contra crianças”, disse Arnaud Gallais, cofundador da entidade, demonstrando a indignação de diversos setores da sociedade francesa.
A Shein, fundada na China e atualmente sediada em Singapura, enfrenta também críticas relacionadas a práticas trabalhistas e seu histórico ambiental. A empresa terá que se explicar perante uma comissão parlamentar, conforme anunciou o relator Antoine Vermorel-Marques, que ressaltou que “nenhum agente econômico pode se considerar acima da lei”.
Fonte: http://www.metropoles.com