A França elevou a pressão sobre a alegada “frota fantasma” russa, apreendendo o petroleiro Boracay, suspeito de violar as sanções internacionais impostas a Moscou. A ação expõe as táticas complexas que a Rússia estaria empregando para manter seu fluxo de petróleo em meio ao conflito na Ucrânia e às restrições econômicas. O capitão do navio, de nacionalidade chinesa, enfrentará julgamento por desobediência às autoridades.
A audiência está agendada para 23 de fevereiro de 2026, no tribunal de Brest, conforme anunciado pelo Ministério Público francês após a prisão preventiva do comandante a bordo. Além da acusação de desobediência, o Ministério Público de Brest instaurou uma investigação para apurar a falta de comprovação da nacionalidade e da bandeira da embarcação. Inicialmente detidos, apenas o capitão enfrentará o processo judicial, enquanto seu imediato, considerado como tendo agido sob ordens, foi liberado.
Imobilizado na costa da Bretanha, o Boracay é alvo de investigação por supostamente integrar a “frota fantasma” russa. Desde a invasão da Ucrânia, essa frota tem sido apontada como um mecanismo para a Rússia burlar as sanções internacionais e continuar exportando petróleo. Segundo estimativas da União Europeia, essa frota é composta por cerca de 444 navios.
O percurso do Boracay, que partiu do porto russo de Primorsk em 20 de setembro, passando por águas do Báltico e do Mar do Norte antes de se aproximar da costa francesa, chamou a atenção das autoridades. Uma fragata francesa monitorou a embarcação até que ela alterasse sua rota em direção à costa francesa. O Kremlin, por sua vez, alegou não possuir informações sobre o navio, mas criticou o que classificou como ações provocativas de alguns países estrangeiros.
O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu um aumento da pressão europeia sobre a “frota fantasma” russa, após a apreensão do Boracay. “É muito importante aumentar a pressão sobre essa frota fantasma, porque isso claramente reduzirá a capacidade da Rússia de financiar seu esforço de guerra na Ucrânia”, declarou Macron, antes de uma cúpula europeia em Copenhague.
Segundo informações do site especializado The Maritime Executive, o Boracay também estaria envolvido nos misteriosos voos de drones que interromperam o tráfego aéreo na Dinamarca em setembro. A União Europeia já havia incluído o petroleiro em sua lista de sanções, aumentando o cerco contra as atividades marítimas russas.
Fonte: http://www.metropoles.com