O Fundo Verde para o Clima (GCF), órgão da ONU dedicado ao financiamento de ações climáticas, anunciou um ano de desempenho notável, com um número recorde de projetos aprovados em nações particularmente suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas. A liderança do GCF atribui esse avanço significativo a reformas internas que visam simplificar e agilizar os processos burocráticos.
Sediado em Songdo, Coreia do Sul, o GCF opera desde 2015 como o maior fundo multilateral do mundo focado em questões climáticas. Desde sua criação, o fundo angariou US$ 19,3 bilhões e tem a ambiciosa meta de alcançar US$ 50 bilhões até 2030. A principal missão do GCF é canalizar recursos de países desenvolvidos, historicamente os maiores emissores de gases de efeito estufa, para auxiliar nações em desenvolvimento a se adaptarem ao aquecimento global e a reduzirem suas próprias emissões.
Em 2024, o GCF atingiu um novo patamar ao arrecadar US$ 3,26 bilhões, superando os US$ 2,9 bilhões obtidos em 2021, que até então representavam o segundo melhor desempenho anual. Um dos projetos emblemáticos deste ano é a destinação de US$ 295 milhões para um projeto de dessalinização e transporte de água na Jordânia, considerado vital para o país do Oriente Médio, que enfrenta uma severa crise hídrica. Essa é a maior doação individual já concedida pelo GCF.
“No atual contexto geopolítico, um compromisso tão significativo do maior fundo multilateral para o clima é um sinal positivo em meio a muitos outros menos positivos”, observou Mafalda Duarte, diretora do fundo, em entrevista antes da COP30, que será realizada em Belém, no Pará. Ela se refere, em particular, à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e às dificuldades econômicas na Europa, que levaram alguns países a reduzirem a ajuda financeira a nações estrangeiras.
De acordo com Duarte, as reformas administrativas implementadas desde que assumiu a direção do GCF, em 2023, foram cruciais para o aumento das aprovações. “Cheguei com uma agenda de reformas para tornar o GCF uma referência, um exemplo do que ele poderia ser: uma instituição eficiente e ágil, muito mais alinhada à velocidade e à escala dos investimentos necessários”, afirmou.
Dentre as mudanças implementadas, destaca-se a redução do tempo de revisão de projetos de dois anos para nove meses e a agilização do processo de credenciamento de instituições parceiras, como agências nacionais e bancos, de três anos para também nove meses. Duarte também defende o uso de empréstimos com juros baixos em projetos com potencial de lucro, argumentando que essa abordagem otimiza os recursos dos doadores e beneficia os países em desenvolvimento.
Apesar das críticas de que empréstimos podem aumentar o endividamento dos países de baixa renda, Duarte argumenta que as doações são mais apropriadas para os países mais vulneráveis, mas nem sempre justificáveis quando se trata de apoiar o setor privado a obter lucro. O Fundo Verde para o Clima oferece condições “concessionais” em seus empréstimos, com taxas de juros significativamente mais baixas do que as disponíveis no mercado comercial para países de renda média e baixa classificação de investimento.
As doações, que representam cerca de 45% do financiamento do fundo, não são suficientes para atingir as metas do Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a 1,5 °C em relação ao período pré-industrial. Mafalda Duarte enfatiza que a COP30 será bem-sucedida se conseguir focar na “responsabilidade” de compromissos novos e concretos, e não apenas em promessas simbólicas.
Em um contexto de desafios globais, o Brasil também apresentou notícias positivas. O governo anunciou uma queda de 11% no desmatamento da Amazônia brasileira em relação ao ano anterior. Um total de 5.796 km² foi desmatado na maior floresta tropical do mundo entre agosto de 2024 e julho de 2025, o menor índice em 11 anos, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Fonte: http://www.metropoles.com