Uma onda de protestos varreu a Grécia na quarta-feira, com uma greve geral organizada pelos principais sindicatos do país. A mobilização é uma resposta contundente à proposta do governo de ampliar a jornada de trabalho, medida vista como um retrocesso pelos trabalhadores. Manifestantes tomaram as ruas de Atenas e Tessalônica, expressando sua indignação contra o que classificam como uma proposta “digna da Idade Média”.
A paralisação, que durou 24 horas, afetou diversos setores. Transportes, incluindo táxis, trens e balsas, foram interrompidos, e o funcionamento de metrôs e ônibus foi afetado em horários específicos. Profissionais da educação, saúde e servidores públicos aderiram à greve, engrossando o coro de vozes que ecoavam o slogan “Não somos máquinas”.
A reforma trabalhista proposta pelo governo conservador grego visa autorizar jornadas de até 13 horas diárias. Embora o governo argumente que a medida é opcional e voluntária, com pagamento adicional após as oito horas padrão, trabalhadores temem serem pressionados a aceitar jornadas exaustivas. A fragilidade econômica do país, marcada por uma década de crise, aumenta essa preocupação.
“Dizem que essas 13 horas são baseadas em um acordo entre empregado e empregador, mas, na prática… isso é chantagem”, desabafa Electra, funcionária de um hotel de luxo, sobre o receio de perder o emprego caso se negue a cumprir a extensa jornada. Para o governo, a medida é uma oportunidade de aumentar os ganhos dos trabalhadores, enquanto os manifestantes a consideram uma exploração.
Atualmente, a lei grega estabelece uma jornada diária de 8 horas, com possibilidade de horas extras. A proposta ainda aguarda análise no Parlamento. Manos Milonas, trabalhador do aeroporto de Atenas, questiona: “Não somos robôs. Como querem que vivamos nessas condições?” A jornada semanal média na Grécia já supera a média da União Europeia, segundo dados da Eurostat.
Fonte: http://www.metropoles.com