O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reafirmou a decisão de seu país de continuar importando petróleo e gás natural da Rússia, em clara oposição aos apelos do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Orbán justificou a medida, argumentando que uma interrupção abrupta no fornecimento russo representaria um golpe devastador para a economia da Hungria. A declaração foi dada após uma conversa telefônica entre os dois líderes.
“Eu disse ao presidente dos EUA que, se a Hungria fosse cortada do petróleo e gás natural russos, imediatamente, dentro de um minuto, o desempenho econômico húngaro cairia 4%. Isso significa que a economia húngara ficaria de joelhos”, declarou Orbán, evidenciando a dependência do país em relação à energia russa. A questão energética tem sido ponto de discórdia entre Hungria e seus aliados ocidentais.
Budapeste argumenta que fatores geográficos e a infraestrutura existente, como o oleoduto Druzhba, dificultam a substituição imediata do petróleo russo. Segundo Orbán, Hungria e EUA são nações soberanas e não precisam concordar em todos os pontos. Essa postura desafia a pressão de Washington e gera tensões com a União Europeia, que busca reduzir a dependência energética de Moscou.
Apesar das críticas, o governo húngaro tem reiterado que a Rússia tem se mostrado um parceiro confiável no fornecimento de energia, mesmo após a invasão da Ucrânia em 2022. Além disso, a Hungria obteve uma isenção temporária das sanções da UE sobre o petróleo transportado por oleoduto, o que lhe permite continuar comprando energia mais barata de Moscou. Esse cenário coloca a Hungria em rota de colisão com seus parceiros europeus, que buscam isolar economicamente a Rússia.
Enquanto a União Europeia busca diversificar suas fontes de energia e reduzir a dependência do petróleo russo, a Hungria mantém sua posição, tornando-se um dos últimos países do bloco a depender abertamente da energia de Moscou. Segundo o chanceler húngaro, Péter Szijjártó, as compras húngaras representam apenas uma pequena parcela das exportações de petróleo da Rússia, cerca de 2,2%. A insistência de Orbán em manter o fluxo de petróleo russo levanta questionamentos sobre o futuro das relações entre Hungria e seus aliados ocidentais.
Fonte: http://www.metropoles.com