Em um movimento que acentua as divisões dentro da União Europeia (UE) sobre o apoio à Ucrânia, a Hungria anunciou o redirecionamento de sua contribuição ao Mecanismo Europeu de Paz. Os 1,5 milhão de euros, que originalmente seriam destinados ao fundo utilizado para auxiliar países em conflito, agora serão direcionados para as Forças Armadas do Líbano. A decisão foi confirmada pelo Ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, após um encontro com o chanceler libanês, Youssef Rajji, em Beirute.
Szijjarto justificou a mudança de prioridade, enfatizando a importância da estabilidade no Oriente Médio para a segurança nacional húngara. “O interesse de segurança nacional da Hungria é a paz no Oriente Médio, e a estabilidade do Líbano é fundamental para isso”, declarou o ministro em suas redes sociais. Ele reafirmou que a Hungria não utilizará sua parcela do fundo europeu para armar a Ucrânia, optando por apoiar o Líbano.
A postura do governo húngaro, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, não é uma surpresa. Orbán tem se mostrado um crítico ferrenho do apoio financeiro e militar da UE à Ucrânia, frequentemente expressando sua oposição ao uso do fundo para esse fim. A Hungria se mantém como uma das vozes mais resistentes dentro do bloco em relação à estratégia de apoio a Kiev.
Orbán já havia expressado preocupações sobre a adesão da Ucrânia à UE, argumentando que isso poderia arrastar a Europa para um conflito direto com a Rússia. Ele também rejeita os planos de apoio de longo prazo ao governo de Volodymyr Zelensky, considerando essa estratégia uma “ilusão”. As críticas de Orbán ocorrem em um momento em que o Conselho Europeu busca avançar as negociações formais para a entrada da Ucrânia e da Moldávia na UE.
Enquanto a UE tenta manter a unidade em relação ao apoio à Ucrânia, a decisão da Hungria de redirecionar seus recursos levanta questões sobre a coesão do bloco e a capacidade de manter uma frente unida em face dos desafios geopolíticos. A atitude de Budapeste demonstra a complexidade das relações dentro da UE e as diferentes prioridades de seus estados membros.
Fonte: http://www.metropoles.com