Em um desenvolvimento surpreendente, a Justiça dos Estados Unidos barrou temporariamente a iniciativa do ex-presidente Donald Trump de afastar Lisa Cook, diretora do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A liminar, concedida nesta terça-feira (9/9), impede, por ora, que a demissão seja efetivada, lançando incertezas sobre o futuro da diretora no órgão.
A nomeação de Cook para o Fed, ocorrida em 2022 pelo então presidente Joe Biden e seguida de uma recondução em 2023 para um mandato de 14 anos, marcou um momento histórico. Ela se tornou a primeira mulher negra a integrar o colegiado responsável por definir as taxas de juros nos Estados Unidos. Sua trajetória profissional também inclui um doutorado em economia pela Universidade da Califórnia em Berkeley e atuação como assessora econômica no governo Barack Obama.
Trump havia tornado pública a intenção de demitir Cook em 25 de agosto, alegando que a economista teria cometido fraude em registros para obter vantagens em contratos de hipoteca. A diretora, no entanto, contestou as acusações e recorreu à Justiça três dias depois, argumentando que o presidente não possui a autoridade para destituí-la do cargo e que a medida representaria uma violação da Lei do Federal Reserve, de 1913. Segundo essa norma, diretores do Fed só podem ser afastados por “justa causa”, um argumento central na defesa de Cook.
Em sua ação judicial, Cook também solicitou uma ordem judicial para impedir que Trump concretizasse a demissão, pedido que foi agora atendido pela Justiça. Vale ressaltar que o caso tem potencial para escalar para instâncias superiores, podendo até mesmo chegar à Suprema Corte, dado o debate sobre a autonomia do Fed. Paralelamente, o jornal The Wall Street Journal noticiou, na última quinta-feira (4/9), que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra Lisa Cook.
O Federal Reserve também se manifestou em defesa de Cook, refutando as alegações de Trump e expressando apoio à diretora. A situação, portanto, permanece tensa e com desdobramentos imprevisíveis, enquanto a batalha legal se desenrola. O desfecho poderá ter implicações significativas para a independência do Fed e para a representatividade dentro de suas estruturas de governança.
Fonte: http://www.metropoles.com