O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, proferiu duras críticas ao Ocidente, acusando-o de não estar disposto a negociar em termos igualitários com os países da Eurásia. A declaração foi feita durante a III Conferência Internacional de Minsk sobre Segurança Eurasiática, na Bielorrússia, evento que reuniu importantes lideranças para discutir a segurança regional. Lavrov direcionou suas críticas especialmente aos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ressaltando a visão russa sobre a postura ocidental na região.
“Muitos no Ocidente entendem a importância do continente eurasiano, mas o problema é que os países ocidentais, especialmente os membros da Otan, não estão preparados para negociar em pé de igualdade”, afirmou Lavrov. Ele argumenta que o Ocidente busca impor seus próprios termos à cooperação pan-continental, ignorando o princípio da igualdade e da indivisibilidade da segurança no espaço geopolítico eurasiano.
Em contrapartida, Lavrov destacou a iniciativa do presidente Vladimir Putin de construir uma nova arquitetura de segurança eurasiana. A proposta visa criar fóruns de discussão onde todas as ideias possam ser debatidas de maneira justa e construtiva, promovendo uma Parceria Eurasiática Ampliada. Segundo o chanceler, o Kremlin busca um diálogo equitativo e mutuamente enriquecedor para fortalecer a segurança na região.
Lavrov também alertou sobre as possíveis motivações por trás das ações ocidentais, acusando a OTAN de tentar subordinar a Eurásia aos seus próprios interesses. “Esses interesses consistem principalmente em conter a China, a Rússia, a Coreia do Norte e, potencialmente, qualquer outro país que deseje afirmar seu direito de seguir uma política independente e autônoma baseada em interesses nacionais”, declarou o ministro, evidenciando a crescente tensão geopolítica entre o Ocidente e a Eurásia.
Além disso, o ministro russo expressou preocupação com a expansão da OTAN e a atuação ocidental na região, alertando para o risco de uma “grande guerra europeia”. Ele garantiu que a Rússia não tem intenção de atacar nenhum Estado-membro da OTAN ou da União Europeia (UE), mas reiterou a defesa de uma segurança igualitária e indivisível na Eurásia, opondo-se à transformação da região em um domínio da OTAN e reafirmando o compromisso com os princípios da segurança coletiva.
Fonte: http://www.metropoles.com