Em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um questionamento incisivo sobre as estratégias da esquerda e de líderes democratas em face do avanço global da extrema-direita. A declaração ocorreu durante a reunião “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos”, um evento paralelo à Assembleia, onde Lula propôs uma reflexão profunda sobre as causas desse fenômeno.
“A gente tem que responder: onde é que os democratas erraram? Onde é o momento em que a esquerda errou? Por que permitimos que a extrema-direita cresça com a força que está crescendo? É virtude deles ou incompetência nossa?”, indagou o presidente, sinalizando uma autocrítica sobre as abordagens adotadas por setores progressistas. Lula também criticou o distanciamento entre líderes políticos e a sociedade civil, alertando para as consequências negativas dessa postura para a solidez da democracia.
O presidente destacou que, muitas vezes, governos de esquerda priorizam os interesses de adversários em detrimento das demandas de seus eleitores. “Muitas vezes a gente ganha as eleições com discurso de esquerda e quando a gente começa a governar, a gente atende muito mais aos interesses dos nossos inimigos do que dos nossos amigos”, afirmou Lula. Ele ressaltou a importância de atender às necessidades daqueles que se engajaram ativamente na defesa de seus projetos políticos.
Para Lula, a superação da extrema-direita passa por uma análise honesta dos erros cometidos pela democracia em sua relação com a sociedade. “Eu penso que antes de procurar a virtude do extremismo de direita, nós temos que procurar os erros que democracia cometeu na relação com a sociedade civil”, ponderou. O encontro em defesa da democracia é liderado por Lula, juntamente com Gabriel Boric (Chile) e Pedro Sánchez (Espanha), demonstrando um esforço conjunto para fortalecer os valores democráticos no cenário internacional.
Fonte: http://www.metropoles.com