Em movimento surpreendente durante a Cúpula da Asean, na Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a Donald Trump a intenção de reviver sua proposta de mediar o conflito entre Rússia e Ucrânia. O encontro bilateral serviu de palco para Lula expressar otimismo quanto à possibilidade de engajar Trump na busca por uma solução pacífica. A iniciativa surge em um momento delicado, com o conflito se arrastando e o Brasil buscando um papel de maior destaque no cenário internacional.
Lula demonstrou entusiasmo com a receptividade de Trump à ideia. “Qualquer dia vou dizer pra ele que a gente pode resolver essa guerra da Rússia e Ucrânia”, declarou o presidente em coletiva de imprensa. A proposta de mediação, embora não seja nova, ganha novo fôlego com a aparente abertura de Trump, cujo país é um dos principais apoiadores da Ucrânia.
Contudo, a empreitada enfrenta desafios. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, já expressou desconfiança em relação ao Brasil, alegando uma postura mais favorável à Rússia. Essa percepção pode dificultar a aceitação da mediação brasileira por parte de Kiev. O estreito relacionamento do Brasil com Moscou, evidenciado pela participação no Brics e laços comerciais, é um ponto sensível na equação.
Adicionalmente, Lula se ofereceu para atuar como interlocutor entre os Estados Unidos e a Venezuela. Diante das tensões crescentes e da ameaça de uma possível incursão americana no país sul-americano, o presidente brasileiro busca promover uma solução diplomática. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Lula se prontificou a ser “um contato, um interlocutor” para encontrar soluções mutuamente aceitáveis.
A investida de Lula reflete a ambição do Brasil em desempenhar um papel ativo na resolução de crises globais, buscando fortalecer sua posição como ator relevante no cenário internacional e pavimentar o caminho para uma possível ascensão ao Conselho de Segurança da ONU.
Fonte: http://www.metropoles.com