Em sua quarta visita de Estado à China, o presidente francês Emmanuel Macron buscou o apoio de Xi Jinping em duas frentes cruciais: a busca por um cessar-fogo na Ucrânia e a correção do desequilíbrio comercial entre os dois países. O encontro ocorreu no Grande Salão do Povo, em Pequim, em um momento de crescente pressão internacional para que a China utilize sua influência sobre a Rússia para mediar o conflito.
Macron, um dos principais aliados de Volodymyr Zelensky, reiterou seu apelo para que Pequim pressione Moscou a cessar as hostilidades, especialmente com a aproximação do inverno. “Espero que a China se junte ao nosso apelo para alcançarmos, pelo menos, um cessar-fogo rápido e uma moratória sobre ataques a infraestruturas críticas”, declarou o presidente francês, evidenciando a urgência da situação humanitária.
Apesar de publicamente se declarar neutra, a China mantém laços estreitos com a Rússia, o que coloca Xi Jinping em uma posição estratégica para influenciar o curso da guerra. No início de dezembro, Xi ofereceu garantias de apoio contínuo a Putin, mesmo mantendo um discurso de compromisso com a paz.
Além da questão geopolítica, a visita de Macron teve um forte componente econômico. Acompanhado por executivos de grandes empresas francesas, como Airbus e BNP Paribas, o presidente buscou reduzir o déficit comercial com a China. “Os desequilíbrios que vemos hoje não são sustentáveis”, afirmou Macron, defendendo regras comerciais mais justas.
Xi, por sua vez, defendeu que China e França devem manter sua “autonomia estratégica” e seguir seus próprios caminhos geopolíticos. Após as reuniões, foram assinados 12 acordos de cooperação em áreas como energia nuclear, envelhecimento populacional e preservação de pandas-gigantes, demonstrando o interesse mútuo em fortalecer os laços bilaterais. Contudo, permanecem divergências significativas em relação a questões comerciais, como tarifas sobre produtos franceses e europeus.
Fonte: http://www.metropoles.com