Em um discurso contundente na 80ª Assembleia Geral da ONU, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, elevou o tom contra o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Petro pediu formalmente a abertura de um processo criminal contra Trump, responsabilizando-o por operações militares americanas no Caribe. A declaração, proferida nesta terça-feira, coloca em xeque a política externa dos EUA na região.
O líder colombiano justificou o pedido de investigação alegando que Trump ordenou ações militares em águas latino-americanas que resultaram na morte de pelo menos 14 pessoas, segundo informações oficiais de Washington. Petro questiona a legitimidade dessas operações, alegando falta de provas concretas que justifiquem os ataques a embarcações na região. “A política antidrogas não é feita para deter a cocaína que chega aos Estados Unidos”, afirmou Petro, argumentando que ela serve para dominar os povos do Sul.
Desde o início do cerco no Caribe, Trump anunciou três ataques a embarcações, alegando que faziam parte do combate ao tráfico internacional de drogas. No entanto, o governo dos EUA não apresentou evidências robustas que confirmem a ligação dos barcos com atividades ilícitas. Essa falta de transparência tem gerado críticas e desconfiança em relação à política antidrogas americana.
A controvérsia em torno das ações dos EUA no Caribe ganha força com o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR), que classificou os ataques como “execuções extrajudiciais”. A presença de uma frota naval americana e caças F-35 na região intensifica as tensões, especialmente após a ofensiva de Trump contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusado de chefiar o cartel de Los Soles.
A crescente ligação de grupos de tráfico de drogas ao terrorismo tem sido utilizada como justificativa para a atuação militar dos EUA em outros países. Essa estratégia, contudo, tem gerado debates sobre a soberania das nações e os limites da intervenção americana. O discurso de Petro na ONU reacende a discussão sobre o papel dos Estados Unidos na América Latina e as consequências de suas políticas na região.
Fonte: http://www.metropoles.com