A Argentina se prepara para eleições legislativas decisivas, agendadas para domingo (26/10), em meio a um cenário de crescente desaprovação ao governo de Javier Milei. Uma pesquisa recente do instituto AtlasIntel revela que 55,7% dos argentinos rejeitam a gestão do presidente ultraliberal, enquanto apenas 39,9% a aprovam. Este índice representa a maior diferença já registrada entre aprovação e rejeição na série histórica do instituto, evidenciando o declínio constante da imagem de Milei desde o início de 2025.
O levantamento também aponta que mais da metade dos entrevistados, precisamente 51,8%, avaliam o governo como “ruim” ou “muito ruim”. Em contrapartida, apenas 24,6% o consideram “bom” ou “excelente”. Essa percepção negativa reflete um período turbulento marcado por crises políticas, denúncias de corrupção e o impacto das políticas de austeridade implementadas pela gestão Milei.
De acordo com a pesquisa, os principais problemas que afligem os argentinos são a corrupção (50,8%), o desemprego (33,2%) e a inflação (30,8%). Escândalos recentes envolvendo figuras próximas ao presidente, incluindo sua irmã e assessora Karina Milei, minaram a confiança do eleitorado e enfraqueceram o discurso anticorrupção de Milei.
A insatisfação com a economia é palpável, com 68% dos entrevistados acreditando que o país está em uma situação desfavorável sob a gestão Milei. Além disso, 70% percebem uma piora no mercado de trabalho, e 51% avaliam negativamente a situação financeira de suas famílias. Este cenário desafiador lança uma sombra sobre as eleições legislativas.
As eleições de domingo definirão a composição do Congresso Nacional, com a renovação de metade das cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Atualmente, o partido de Milei detém apenas uma pequena representação em ambas as casas, o que dificulta a aprovação de reformas econômicas ambiciosas. A votação será um teste crucial para o governo, que enfrenta resistência interna e acusações de aprofundar a desigualdade e enfraquecer políticas sociais.
Apesar do apoio dos Estados Unidos e de investidores internacionais, Milei insiste que as medidas de ajuste são essenciais para a “reconstrução da Argentina”. No entanto, o resultado das eleições permanece incerto, com pesquisas indicando uma disputa acirrada entre o partido do presidente e a coalizão peronista, especialmente na província de Buenos Aires. A pesquisa AtlasIntel ouviu 6.526 eleitores entre 15 e 19 de outubro, com uma margem de erro de um ponto percentual.
Fonte: http://www.metropoles.com