A recém-empossada primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está no centro de uma polêmica após convocar sua equipe para uma reunião na residência oficial às 3 horas da madrugada. O evento, que a mídia local apelidou de “sessão de estudos das 3 da manhã”, gerou uma onda de críticas e reacendeu o debate sobre a cultura do excesso de trabalho no país. A população demonstra preocupação com os impactos dessa prática, inclusive com casos de mortes relacionadas ao ritmo exaustivo.
A reunião, realizada na última sexta-feira (7/11), teve como objetivo revisar documentos informativos antes de uma importante sessão parlamentar sobre o orçamento, agendada para as 9 horas da manhã seguinte. No entanto, a escolha do horário para o encontro despertou fortes reações negativas, especialmente em um país onde o problema social do excesso de trabalho é uma questão sensível e amplamente discutida.
De acordo com a mídia local, Takaichi admitiu em uma comissão legislativa que seu sono é limitado a apenas duas, ou no máximo quatro horas por dia. Essa declaração, somada à notícia da reunião noturna, intensificou as críticas e levantou questionamentos sobre o impacto de sua rotina de trabalho em sua saúde e capacidade de liderança.
Sanae Takaichi, eleita pelo Parlamento como a primeira mulher a ocupar o cargo de premiê no Japão, já havia chamado a atenção por suas posições ideológicas. Alinhada ao ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em 2022, Takaichi compartilha de visões revisionistas sobre o passado do Japão em tempos de guerra, o que pode gerar tensões diplomáticas com os países vizinhos.
A eleição de Takaichi, que derrotou seu rival centrista Shinjiro Koizumi, já havia sido noticiada globalmente. O presidente Lula, inclusive, parabenizou a nova premiê. A polêmica da reunião noturna, no entanto, adiciona uma nova camada à sua imagem, colocando em foco a questão do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e os desafios que o Japão enfrenta para combater a cultura do excesso de trabalho.
Fonte: http://www.metropoles.com