O presidente da Rússia, Vladimir Putin, lançou luz sobre o complexo processo de negociação para um acordo de paz com a Ucrânia. Em declarações recentes, Putin afirmou que ainda não existe um rascunho formal do acordo, contrariando expectativas de um progresso iminente. Segundo o líder russo, Washington apresentou apenas uma lista de temas para discussão, carecendo de um documento estruturado que possa servir como base concreta para negociações.
As declarações foram proferidas durante uma coletiva de imprensa em Bishkek, no Quirguistão, após a cúpula da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC). Apesar da falta de um rascunho, Putin enfatizou que Moscou permanece aberta ao diálogo. “Em princípio, concordamos que isso pode servir de base para futuros acordos, mas seria indelicado falar de versões finais agora, porque elas não existem”, declarou o presidente.
Putin reconheceu que o governo dos Estados Unidos considerou a posição russa em certas áreas, mas alertou que pontos cruciais ainda demandam discussões aprofundadas. A complexidade das negociações reflete as divergências profundas entre as partes envolvidas e os desafios na busca por uma solução duradoura para o conflito.
Em um desenvolvimento paralelo, Putin confirmou que uma delegação dos EUA visitará Moscou no início da próxima semana para discutir o plano de paz. A identidade dos representantes de Washington não foi revelada, cabendo a Donald Trump a decisão sobre a composição da delegação. Pelo lado russo, diplomatas do Ministério das Relações Exteriores, Vladimir Medinsky e Yury Ushakov participarão.
As propostas em jogo revelam as divergências entre as visões de paz. O plano de Trump, com 28 pontos, reconhece o controle russo sobre a Crimeia, Donetsk e Luhansk, além de propor o congelamento das posições atuais em Kherson e Zaporíjia e a renúncia da Ucrânia à adesão à OTAN. Em contraste, a proposta europeia não reconhece a soberania russa sobre territórios ucranianos e não impõe um veto à entrada da Ucrânia na aliança militar. O Kremlin indicou que a primeira versão americana poderia servir de base para um acordo, mas aguarda o texto atualizado após consultas entre EUA e Ucrânia em Genebra.
Fonte: http://www.metropoles.com