Rodrigo Paz assume a presidência da Bolívia em meio a desafios econômicos e polarização política

Rodrigo Paz assume a presidência da Bolívia em meio a desafios econômicos e polarização política

Rodrigo Paz assume a presidência da Bolívia em meio a desafios econômicos e polarização política 1024 683 Carlos Fenille

Rodrigo Paz, um senador da oposição antes pouco conhecido, ascendeu ao cargo de presidente da Bolívia, surpreendendo o cenário político. Ele se tornou o primeiro conservador a vencer uma eleição presidencial no país em duas décadas, após derrotar o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga no segundo turno. A vitória de Paz marca uma mudança significativa no panorama político boliviano. Ele assume o cargo em 8 de novembro, com a promessa de “reabrir” o país ao mundo e superar a crise atual.

Em seu discurso de vitória, Paz expressou gratidão pelo apoio recebido e delineou sua visão para o futuro da Bolívia. “A Bolívia está gradualmente recuperando sua presença internacional”, afirmou, enfatizando a importância de reconstruir laços geopolíticos e geoeconômicos. Ele também estendeu a mão a diversos setores da sociedade, buscando construir uma nova dimensão para o país por meio da colaboração.

No entanto, o novo presidente herda uma economia fragilizada após 20 anos de governo do Movimento ao Socialismo (MAS). A estagnação das exportações de gás natural e o colapso do modelo econômico estatista impõem desafios imediatos. A escassez de dólares e combustível tem impactado a população, que deposita em Paz a esperança de superar a pior crise econômica em quatro décadas.

Paz, filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, trilhou um caminho político peculiar. Inicialmente ligado à esquerda, ele se reinventou como um conservador pragmático. Sua experiência como prefeito de Tarija, embora tenha modernizado a cidade, também gerou insatisfação entre a classe trabalhadora e sindicatos, demonstrando a complexidade de sua trajetória.

Sua campanha eleitoral, marcada pela ascensão do seu companheiro de chapa, o “Capitão Lara”, soube capitalizar o sentimento anticorrupção e atrair eleitores da classe trabalhadora, inclusive indígenas. A mensagem de “capitalismo para todos”, aliada a um tom populista e medidas de compensação social, conquistou a confiança de um eleitorado diversificado.

A Bolívia enfrenta uma inflação anual de 23% e uma persistente escassez de combustível. Paz terá que lidar com a crise do combustível e a falta de dólares, buscando soluções para controlar o custo de vida. Além disso, o presidente precisará construir consenso em uma sociedade polarizada, marcada por divisões regionais e entre áreas urbanas e rurais.

A influência do ex-presidente Evo Morales, apesar de impedido de concorrer, permanece um fator relevante. Sua popularidade entre os indígenas e as divisões internas no MAS podem representar desafios para a estabilidade política. Além disso, Morales enfrenta acusações e um mandado de prisão por tráfico de pessoas.

Paz sinaliza uma possível mudança nas relações com os Estados Unidos, buscando uma reaproximação após anos de tensões. A disposição de Washington em colaborar em áreas como segurança regional e investimentos bilaterais pode abrir novas perspectivas para a Bolívia, marcando uma guinada em sua política externa.

Fonte: http://www.metropoles.com

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