A promotoria de Paris classificou como amadora a execução do roubo de joias históricas avaliadas em 102 milhões de dólares (R$ 548 milhões) ocorrido no Museu do Louvre no mês passado. Contrariando as expectativas, as autoridades descartam o envolvimento de organizações criminosas sofisticadas no audacioso crime.
Em plena luz do dia, dois indivíduos estacionaram um veículo próximo ao museu e, utilizando uma escada, acessaram o segundo andar. Em menos de sete minutos, quebraram uma janela, arrombaram vitrines com esmerilhadeiras e fugiram em scooters, demonstrando uma ousadia que, segundo a promotoria, não se traduz em profissionalismo.
Até o momento, quatro suspeitos foram indiciados e detidos, incluindo três que teriam participado diretamente da invasão ao museu, além da namorada de um dos supostos assaltantes. Todos enfrentam acusações de furto por quadrilha organizada e conspiração criminosa.
“Não se trata exatamente de delinquência cotidiana, mas é um tipo de delinquência que geralmente não associamos aos escalões superiores do crime organizado”, declarou a promotora de Paris, Laure Beccuau, à rádio Franceinfo. A promotora ainda acrescentou que o perfil dos envolvidos não é típico de profissionais com histórico em roubo de artefatos.
As investigações apontam que os suspeitos são moradores da região de Seine-Saint-Denis, uma área de baixa renda ao norte de Paris. O ministro do Interior da França, Laurent Núñez, acredita que um último suspeito, ainda foragido, seja o principal articulador do assalto.
A imprensa francesa também levanta a hipótese de amadorismo, citando o fato de os ladrões terem abandonado a coroa da Imperatriz Eugênia, além de ferramentas e outros objetos na cena do crime. Além disso, os criminosos não conseguiram incendiar o caminhão de mudanças utilizado na ação.
A polícia prendeu dois homens suspeitos de terem invadido o Louvre, um argelino de 34 anos e outro de 39, ambos moradores de Aubervilliers. Ambos “admitiram parcialmente” o envolvimento, segundo Beccuau.
Outros dois suspeitos, um homem de 37 anos e uma mulher de 38, foram presos e acusados. O homem, com 11 condenações criminais anteriores, teve seu DNA encontrado no caminhão de mudanças, enquanto vestígios de DNA da mulher também foram encontrados, embora as autoridades acreditem que possam ter sido transferidos involuntariamente.
Fonte: http://www.metropoles.com