O Kremlin confirmou ter recebido uma versão inicial do plano de paz para a Ucrânia, fruto de negociações entre Estados Unidos e Ucrânia em Genebra. A informação foi divulgada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sinalizando possíveis conversas em Moscou na próxima semana com a participação de enviados norte-americanos. Este desenvolvimento ocorre em meio a discussões sobre o papel e a possível visita do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, a Moscou para se encontrar com Vladimir Putin.
Entretanto, a situação é complexa, pois Witkoff enfrenta controvérsias devido a uma gravação vazada que o implica em orientar um assessor de Putin sobre como influenciar decisões na Casa Branca. Peskov, embora não tenha confirmado datas específicas para os encontros, prometeu um anúncio oportuno do Kremlin. Vladimir Putin já havia mencionado o recebimento dos resultados das consultas realizadas em Genebra, indicando que os 28 pontos foram divididos em quatro componentes.
As propostas em discussão revelam divergências significativas entre a abordagem dos EUA e a da Europa. O plano americano sugere o reconhecimento do controle russo sobre a Crimeia, Donetsk e Lugansk, além de um congelamento das posições atuais em Kherson e Zaporizhzhia, e a exigência de que a Ucrânia abandone seus planos de adesão à OTAN. Putin, ao comentar sobre essa proposta, afirmou que ela “pode servir como base”, mas ressaltou não ter recebido a versão revisada após as consultas com Kiev.
Em contraste, a proposta europeia não reconhece a soberania russa sobre nenhum território ocupado e não impõe um veto permanente à entrada da Ucrânia na OTAN. Kiev, por sua vez, mantém uma postura firme contra concessões territoriais, enquanto governos europeus buscam preservar a unidade diplomática diante de qualquer acordo que legitime ocupações. A Rússia continua a insistir que interromperia as operações militares se a Ucrânia se retirasse das regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia, anexadas após referendos considerados ilegítimos pela ONU e pelo Ocidente.
Fonte: http://www.metropoles.com