Sua empresa vende. Mas, ela enriquece você?

Sua empresa vende. Mas, ela enriquece você?

Sua empresa vende. Mas, ela enriquece você? 150 150 Redação Regional

Por Mayara Ledo
@mayaraledodocarmo
suporte@mettasolucoes.com.br
+55 77 99917 6304
Sua empresa vende. Talvez venda mais do que vendia há cinco anos, tenha mais
clientes, mais funcionários, uma estrutura maior e um faturamento que um dia você
desejou alcançar.
Mas, permita-me fazer uma pergunta um pouco mais desconfortável:
Nesse mesmo período, ela enriqueceu você?
Não estou perguntando quanto sua empresa fatura, estou perguntando quanto desse
crescimento se transformou em riqueza para quem assumiu o risco de construí-la.
Essa diferença parece óbvia. Na prática, não é.
Há mais de 17 anos acompanhando empresários de diferentes setores, portes e modelos
de negócios, encontro com frequência empresas que cresceram muito mais do que seus
donos.
O faturamento aumentou, a operação aumentou, a equipe aumentou, os problemas
aumentaram. Mas o patrimônio do empresário, não.
Existe algo particularmente perigoso nisso: aprendemos a reconhecer crescimento pelo
que conseguimos ver: uma loja maior, mais funcionários, mais clientes, mais máquinas,
mais unidades, mais faturamento.
São sinais visíveis de progresso — e nosso cérebro gosta deles.
Mas crescimento e enriquecimento não são sinônimos.
Há uma ideia de Peter Drucker que considero especialmente importante quando falamos
sobre o papel de uma empresa: negócios existem para criar valor e gerar riqueza.
Parece evidente. Mas talvez tenhamos nos acostumado tanto a medir empresas pelo que
elas vendem que deixamos de fazer uma pergunta anterior: quanto de riqueza todo
esse valor gerado está, de fato, construindo?
Porque uma empresa pode vender muito, empregar muitas pessoas, ocupar uma grande
estrutura e movimentar milhões — e ainda assim produzir pouco patrimônio para quem
assumiu o risco de construí-la.
É por isso que vender, lucrar e enriquecer são coisas diferentes.
Vender movimenta a empresa.
Lucrar demonstra que existe resultado econômico.
Enriquecer significa conseguir transformar, de forma sustentável, parte do valor
produzido pelo negócio em patrimônio.
E compreender essa diferença muda decisões.
Quando o faturamento se torna a principal medida de sucesso, é fácil cair na armadilha
de perseguir crescimento a qualquer custo.
Vende-se mais concedendo prazo demais. Aumenta-se a estrutura antes da hora.
Sacrifica-se margem para ganhar mercado. Reinveste-se tudo indefinidamente enquanto
o empresário continua dizendo a si mesmo: “Quando a empresa crescer mais, eu
começo a ganhar dinheiro.”
E o “mais” nunca chega.
Não há nada de errado em reinvestir. Pelo contrário! Empresas precisam de capital para
crescer. O problema começa quando o empresário transforma o próprio enriquecimento
em uma promessa permanentemente adiada.

Uma empresa saudável precisa remunerar trabalho, capital e risco. Precisa gerar caixa,
produzir lucro e, com o tempo, construir patrimônio.
Inclusive para quem a construiu.
Isso não é ganância.
É coerência econômica.
Talvez, então, esteja na hora de acrescentarmos outras perguntas às reuniões de
resultado.
Além de perguntar quanto a empresa vendeu, pergunte:
Quanto ela gerou de caixa?
Quanto produziu de lucro?
Quanto desse resultado se transformou em patrimônio?
E quanto da riqueza criada por esse negócio chegou, de maneira saudável, a quem
decidiu construí-lo?
Então, volto à pergunta que realmente importa:
Sua empresa vende. Mas, ela enriquece você?

Mayara Ledo
Especialista em Gestão Financeira e Economia Comportamental
Consultora financeira e Mentora de empresários
Criadora do Método Ciclo do Enriquecimento Sustentável®
Sócia-fundadora da METTA – Soluções em Educação Financeira
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